Inteligência artificial está mudando a vida de quem tem deficiências

A Inteligência Artificial (IA) vem trazendo para o nosso dia a dia coisas que antes pareciam ser possíveis somente em filmes de ficção científica. De eletrodomésticos a carros inteligentes, a IA está presente em quase todos os aspectos de nossas vidas.

Uma das várias áreas em que a IA está provando ser um divisor de águas é na acessibilidade na web. Várias tecnologias baseadas em IA estão fazendo com que o mundo digital passe a ser acessível para pessoas com deficiência.

“A IA se mostra uma aliada importante para a inclusão digital de pessoas com deficiência”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas, que lista cinco exemplos de como a IA está promovendo a inclusão. Confira!

1- Tradução e legendagem

O uso de algoritmos de Reconhecimento Automático de Fala (ASR, na sigla em inglês) com base na tecnologia IA está criando novas possibilidades para criar legendas e captions (descrição do que aparece na tela) para vídeos. Essas tecnologias estão ajudando usuários surdos e com deficiência auditiva a interagir com o conteúdo de vídeo.

Esses programas de computador não apenas fornecem legendas ao vivo, mas também podem melhorar seu desempenho por meio da autoaprendizagem. Portanto, um sistema ASR pode aprender a fornecer melhores legendas ao longo do tempo.

Empresas de tecnologia também estão desenvolvendo soluções para tradução e legendagem para deficientes. Um deles é o Microsoft Translator, uma tecnologia de comunicação alimentada por IA, para deficientes auditivos, que dispõe de mais de 60 idiomas. A Microsoft fez parceria com vários institutos de ensino para possibilitar o acesso a alunos com deficiência.

Outra iniciativa baseada em IA que está ajudando a melhorar a acessibilidade na web é o Google Translate. Com o Google Neural Machine Translation (GNMT), o Google melhora a precisão, reduzindo os erros e introduzindo o conceito de tradução por frase e não por palavra.

2- Reconhecimento automático de imagem

As imagens são onipresentes na web, porém inacessíveis para usuários com deficiência visual. O processamento de imagens baseado em IA está ajudando a romper essa barreira. O Google desenvolveu um algoritmo, o Google Vision API, que usa redes neurais para reconhecimento de imagens.

O Facebook seguiu o mesmo caminho ao lançar um API de reconhecimento de imagem, que, alimentado por redes neurais e aprendizado de máquina, consegue descrever as imagens que aparecem na tela.

3- Reconhecimento facial

Em geral, para fazer login em um notebook ou smartphone é preciso usar uma senha ou PIN. Com o software de reconhecimento facial baseado em IA isso não é mais necessário. Muitos desenvolvedores de sites e empresas de tecnologia também estão experimentando o reconhecimento facial como uma alternativa ao CAPTCHA online, o recurso de segurança para evitar o acesso de bots em que é necessário selecionar as imagens que mostram um determinado objeto.

4- Resumos de texto

Apesar de dominada por imagens, a internet também possui muito conteúdo em forma de texto. Embora seja mais fácil para usuários com deficiência visual interagir com texto usando leitores de tela, documentos, artigos e postagens muito extensos se tornam um tanto cansativos. Algumas empresas estão usando algoritmos baseados em IA para criar resumos de artigos volumosos, facilitando a compreensão. São softwares que fazem uma leitura de forma mais contextual.

5- Leitura labial automática

O algoritmo de leitura labial automática funciona de forma similar às legendas que descrevem a imagem nos vídeos (caption), possibilitando o acesso às pessoas com deficiência auditiva. Um deles é o DeepMind, do Google. Desenvolvido com base em mais de 5.000 horas de tevê, ele é capaz de identificar os movimentos labiais e tem precisão em torno de 50%.

O Google desenvolveu também uma tecnologia baseada em IA para decifrar vários padrões de fala humana, melhorando a transcrição para os deficientes. Batizado de Projeto Euphonia, ele ajuda pessoas com problemas na fala a acessar a internet por meio de gestos.

Há diversas soluções baseadas em IA para tornar a internet mais acessível para pessoas com deficiência. Embora algumas delas ainda estejam em estágios iniciais, os avanços vêm ocorrendo numa velocidade cada vez maior, principalmente devido à colaboração entre especialistas em tecnologia e os próprios usuários com deficiência. “A IA se mostra uma aliada importante para a inclusão digital de pessoas com deficiência”, conclui Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.