Inteligência artificial pode diagnosticar demência com um único exame do cérebro

A inteligência artificial (IA) está mudando fundamentalmente a medicina e a saúde. Com ela, é possível analisar imagens de eletroencefalogramas, eletrocardiogramas ou raios-X, e por meio do aprendizado de máquina detectar uma série de doenças em estágio inicial. Estes diagnósticos são cruciais para a eficácia do tratamento.

Já sabemos que a IA pode detectar câncer de pulmão ou derrames, risco de doenças cardíacas, lesões de pele e retinopatia diabética, entre outras doenças. Agora, uma equipe de cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriu que a inteligência artificial pode ser usada para diagnosticar a demência a partir uma única varredura do cérebro.

Nos testes pré-clínicos, foi possível diagnosticar sinais de demência anos antes de os sintomas se desenvolverem. O algoritmo conseguiu identificá-los nos exames padrões que nem neurologistas experientes conseguiram perceber e compará-los com resultados de outros pacientes em um banco de dados.

Os cientistas acreditam que esse método contribuirá para a obtenção de diagnósticos ainda mais precoces e precisos, prevendo até mesmo o ritmo com que a doença avançará e quando o paciente apresentará perdas cognitivas. “Isso é importante para podermos entender mais detalhes sobre a progressão desta doença e a eficácia dos tratamentos existentes, além de desenvolver novas formas para retardar seus efeitos”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

As alterações celulares e moleculares no cérebro geralmente começam meses ou até anos antes dos sintomas se manifestarem. Da mesma forma, chegar ao diagnóstico de demência leva tempo. Ele envolve a realização de uma série testes cognitivos e exames de imagem, alguns deles invasivos. Com o uso da inteligência artificial, será possível, inclusive, retardar o aparecimento dos primeiros sintomas da doença ou fazer com que nunca se manifestem.