Internet à prova de hackers (tecnologia quântica)

Aos poucos, conforme a tecnologia avança, estamos pavimentando o caminho para a internet quântica, que trará mais segurança. Nela, a troca de dados é feita de acordo com as leis da mecânica quântica, por meio de fragmentos quase imperceptíveis. Os dados são codificados em qubits, criados em dispositivos como um computador ou um processador quântico, e enviados por meio de uma rede de vários dispositivos quânticos fisicamente separados.

Tradicionalmente, os dados são protegidos por uma chave compartilhada entre o remetente e o destinatário. O uso dessa chave comum é usado para criptografar a mensagem e o receptor usa sua chave para decodificar os dados. Nesse processo, a segurança é baseada no uso de um algoritmo para a criação das chaves, que, embora difícil, não é impossível de ser hackeado.

Na distribuição quântica de chaves ou QKD, na sigla em inglês, é possível detectar se um terceiro interceptou a chave transmitida por meio de qubits durante a transmissão. “A garantia de segurança na transmissão de dados é um dos grandes desafios da internet hoje e o a física quântica é a alternativa mais promissora para superá-lo. Por isso, vários países estão numa verdadeira corrida para o seu desenvolvimento”, explica o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Embora as leis da física quântica não sejam ainda totalmente compreendidas nem mesmo pelos cientistas, há muitos e significativos avanços.

Cientistas conseguiram transmitir pares de fótons por meio de cabos de fibra óptica de forma a proteger as informações codificadas neles. Uma equipe da University of Science and Technology of China usou uma tecnologia para construir um backbone de rede de 2.000 quilômetros entre Pequim e Xangai, mas o projeto usa componentes clássicos que quebram periodicamente o link quântico antes de estabelecer um novo, abrindo a possibilidade de hacking.

Holanda mais perto

Já uma equipe da Delft University of Technology, da Holanda, está construindo uma rede conectando quatro cidades na Holanda inteiramente por meio de tecnologia quântica. Deverá ser a primeira a transmitir informações entre cidades usando técnicas quânticas de ponta a ponta. A tecnologia se baseia em um comportamento quântico de partículas atômicas denominado emaranhamento. Fótons emaranhados não podem ser lidos secretamente sem interromper seu conteúdo.

Mas as partículas emaranhadas são difíceis de criar e ainda mais difíceis de transmitir em longas distâncias. A equipe acredita que conseguirá estabelecer uma ligação quântica entre Delft e Haia até o final do ano e prevê que até o fim da década poderemos ter uma rede quântica global.