Internet banda larga via satélite avança

A empresa de tecnologia aeroespacial SpaceX confirmou que já estabeleceu comunicação com 55 dos 60 satélites lançados de uma única vez pelo Projeto Starlink há cerca de um mês, em 23 de maio. O objetivo do Starlink é construir uma rede de transmissão de dados via satélites que circulam em órbitas baixas, mais próximas à Terra – ou seja, um sistema de internet em banda larga capaz de conectar áreas remotas, comunidades em zonas rurais e até mesmo países com restrições tecnológicas que inviabilizem a conexão por fibra óptica. A empresa informou que perdeu comunicação com três equipamentos, que provavelmente serão destruídos nos próximos meses, ao entrar na atmosfera terrestre. Outros dois foram deorbitados propositalmente para testar a estratégia de eliminação das máquinas obsoletas: uma das diretrizes do projeto é não deixar lixo espacial para trás. Dos 55 aparelhos em funcionamento, 45 já orbitam na posição desejada, cinco avançam na direção correta e outros cinco estão passando por testes para serem direcionados ao local desejado. Mas esse lançamento foi apenas o primeiro: a companhia recebeu permissão da Comissão Federal de Comunicações do EUA para lançar duas “constelações” de satélites, uma de 4.409 equipamentos, outra de 7.518.

A SpaceX não é a única, no entanto, a investir na banda larga via satélite. A Amazon está desenvolvendo o Projeto Kuiper, que prevê o lançamento de 3.236 deles, com o objetivo de cobrir 95% das regiões habitadas do planeta. O Facebook também já anunciou um projeto semelhante.

Constelações de satélites podem impactar pesquisas científicas

Astrônomos e cientistas especiais vêm questionando o expressivo número de satélites previsto nos projetos de internet banda larga. As principais preocupações são relacionadas aos impactos que esses equipamentos podem ter nas pesquisas científicas, já que refletem a luz e causam interferências em ondas de rádio utilizadas para estudos do cosmos. Os primeiros 60 satélites lançados pela SpaceX, quando em órbita, mostraram-se muito mais brilhantes do que o previsto antes do lançamento. A empresa afirma que trabalhou em parceria com astrônomos para mitigar potenciais impactos, mas a comunidade acadêmica ainda está bastante reticente.

Para Arie Halpern, empresário especializado em tecnologias disruptivas, o diálogo entre os diferentes setores será fundamental: “os estudos científicos proporcionaram a criação das redes de telecomunicação que temos hoje; ao mesmo tempo em que queremos democratizar o acesso à internet, precisamos respeitar alguns limites para que os novos projetos não inviabilizem avanços e descobertas ainda maiores”, afirma.