Já pensou o que faria se pudesse controlar máquinas com sua mente?

Quem nunca pensou na possibilidade de comandar um computador sem precisar digitar, mexer ou tocar o teclado, a tela ou um mouse? Essa realidade de ficção científica está cada vez mais perto. Dois anúncios feitos recentemente e com poucos dias de diferença, sobre os avanços no campo da tecnologia de interface neurais, nos colocam mais perto dessa façanha.

A mais promissora foi que cientistas conseguiram estabelecer a conexão entre o cérebro humano e um computador por meio de um dispositivo sem fio. Os cientistas da Universidade de Brown, em Massachusetts, conseguiram em testes clínicos fazer a conexão com resolução de um único neurônio e fidelidade de banda larga.

Os testes foram realizados com dois participantes que tiveram seus movimentos paralisados após sofrerem lesões na coluna em acidentes. Como eles não precisavam estar conectados fisicamente ao computador, puderam ficar em suas próprias casas em vez de ter que permanecer no laboratório durante o período de testes. Isso possibilitou também captar os estímulos cerebrais permanentemente e por períodos mais longos.

O monitoramento 24 horas permite avançar muito na compreensão da atividade cerebral, e desenvolver algoritmos de decodificação permanente dos sinais, de forma que pessoas com paralisia consigam recuperar a capacidade de interação ao comandar um computador somente com o pensamento.

O sistema foi desenvolvido pelo BrainGate, que reúne uma equipe de neurologistas, neurocientistas, engenheiros, cientistas da computação, neurocirurgiões e matemáticos, entre outros especialistas, dedicada a desenvolver tecnologias de interface cérebro-computador (Brain Computer Interface – BCI).

Videogame

O principal alvo das novas tecnologias de conexão neural é restaurar a comunicação e a independência de pessoas com doenças ou problemas neurológicos, lesões na coluna ou que perderam algum membro. Mas esses novos dispositivos devem ultrapassar essas fronteiras rapidamente. “Estamos evoluindo rapidamente para desvendar o funcionamento do cérebro e, a partir disso, dispor de soluções capazes de melhorar a vida de muitas pessoas”, afirma o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Até hoje, as tecnologias testadas na conexão cérebro-máquina usavam cabos ou fios para conectar o sensor ao computador. Há apenas alguns meses, um time de cientistas da Universidade de Melbourne, na Austrália, havia anunciado ter feito a conexão inserindo um cabo minúsculo por meio da veia jugular para chegar ao cérebro.

A outra notícia promissora no campo da tecnologia neural veio da startup Neuralink, do bilionário Elon Musk. A empresa anunciou que, com um chip implantado no cérebro, um macaco de nove anos conseguiu jogar um videogame usando a mente. Do tamanho de uma moeda, o chip foi implantado por um robô, também desenvolvido pela empresa, e possui milhares de microelétrodos que detectam sinais dos neurônios responsáveis por comandar os movimentos do corpo.

Além das aplicações para o bem-estar de pessoas com limitações físicas, já há empresas testando essas inovações em outras áreas, como jogos e carros, por exemplo.