Lixo pode ser rentável: a empresa brasileira que negocia resíduos sólidos

Em 2012 dois colegas de faculdade de gestão ambiental da USP, movidos pelos seus ideais de preservação ambiental, criaram uma startup de valorização de resíduos que conecta vendedores e compradores interessados em negociar material reciclável para geração de renda.

Vendo a dificuldade de diversas instituições em reciclar corretamente seu lixo, criaram a B2Blue, uma plataforma online que media transações entre empresas que possuem algum resíduo sobrando em seu estoque – e que desejam dar ao material uma outra destinação que não seja o lixo – e o interessado em comprar essas sobras para utilizá-las em algum processo.

A ideia surgiu quando uma das sócias estagiava em uma comercializadora de créditos de carbono que operava uma série de aterros sanitários. Ela percebeu que toneladas de plásticos, computadores e celulares eram jogados fora e ficou escandalizada com a situação.

Além de mediar as negociações em sua plataforma digital, a B2Blue oferece serviços elaborados às empresas usuárias do site, como assessoria na gestão do lixo e certificação ambiental.

Ao todo, são mais de 800 mil toneladas de resíduos negociáveis, avaliados em 770 mil reais. A plataforma conta com mais de 20 mil empresas cadastrados e mais de 500 mil usuários ativos.

Atualmente, a plataforma negocia em torno de 8 mil tipos diferentes de resíduos que variam de tiras de couro, e pedaços de espuma (polietileno) até placas de Raio X usadas. O tipo mais recorrente de resíduo negociado pela B2Blue é o lixo eletrônico.

O economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas, Arie Halpern, aponta que o volume negociado pela plataforma, apesar de impressionante, representa apenas uma pequena fração de todo o lixo produzido no País. “De acordo com o Global E-waste Monitor 2017, relatório produzido pela Universidade das Nações Unidas (UNU), o Brasil é o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina, com mais de 2 milhões de toneladas anuais sem destinação correta. Esse lixo, normalmente descartado em aterros e lixões, polui córregos e lençóis freáticos. Para sanar esse problema, é necessário que surjam mais empresas com a iniciativa de destinar resíduos excedentes de maneira correta”, afirma Arie.

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“Diversos países já desenvolveram políticas públicas para diminuir o impacto do lixo produzido na natureza. Alemanha, Japão, Finlândia e outros países estão se valendo da tecnologia para combater o problema, e está dando certo”, conclui Arie.


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