Luva biônica ajuda pianista a recuperar movimentos

No último sábado, dia em que foi comemorado o aniversário de São Paulo, os frequentadores do Theatro Municipal da cidade presenciaram um pequeno milagre. Pela primeira vez em 22 anos, o ar vibrou com os acordes de um piano tocado pelo maestro João Carlos Martins com os dez dedos das mãos, graças a uma luva desenvolvida especialmente para ele por um pesquisador brasileiro. Numa história que já se tornou famosa, Martins, um dos maiores expoentes do instrumento, com uma carreira internacional de sucesso, teve o movimento das duas mãos prejudicados por uma série de problemas  de saúde que o levaram a fazer 24 cirurgias. O músico passou a sofrer de uma condição que não lhe permitia abrir as mãos, obrigando-lhe a tocar apenas com os polegares.

A luva, criada pelo designer industrial Ubiratan Bizarro Costa, demorou um ano para chegar à versão final. Durante esse período, Costa assistiu incontáveis vezes a concertos antigos e novos de João Carlos Martins, ao mesmo tempo em que ia testando o equipamento em contato constante com o artista. As luvas provocam o efeito de molas, que fazem com que as mãos voltem a abrir depois de cada movimento. O desenho passa por um software onde há a análise minuciosa de camadas, e depois vai para a impressora 3D, onde cada etapa leva pelo menos três horas de impressão.

“Essa é uma ótima notícia para todos os amantes da arte, e também para todos aqueles que podem se beneficiar, agora ou no futuro, com equipamentos que ajudam o corpo a realizar uma tarefa tão sofisticada quanto essa, tocar um concerto em alto nível em uma sala de espetáculos”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Ele entende que esse é um teste para próteses de vários tipos que podem aproveitar a mesma tecnologia: “Se conseguimos fazer um equipamento desses para um dos maiores pianistas do mundo, podemos fazer praticamente qualquer coisa, e graças à inventividade de um brasileiro dedicado”, conclui.

 

Futuras aplicações

 O custo das luvas desenvolvidas por Ubiratan Costa, ou Bira, como ele prefere ser chamado, foi moderado. Segundo o inventor, elas custaram cerca de R$ 1,5 mil. A expectativa é que o conceito a partir de agora possa ser replicado, gerando equipamentos para uma série de finalidades terapêuticas em larga escala.

 

Com informações: G1, website de João Carlos Martins, Wikipedia.