Mágicos, trapezistas e hologramas

Em cartaz nos cinemas, a nova versão do filme Dumbo faz uma releitura do desenho animado lançado há 80 anos pela Disney. Dirigido por Tim Burton, a sofrida história do elefantinho orelhudo é contada pelos humanos e não pelos animais, como no original. O bebê elefante não é trazido pela cegonha, é ajudado por crianças, e não por ratinhos, e não se embriaga. E no fim da história não se torna a estrela do circo, vivendo feliz no picadeiro.

Assim como o personagem da Disney, cada vez mais animais de grande ou pequeno portes deixam de ter seu destino atrelado ao circo. Mas a tecnologia está criando alternativas para que o espetáculo possa continuar. O circo alemão Roncalli, que há décadas já não exibia espécies selvagens e mais recentemente baniu cavalos, trouxe os animais de volta: hologramas de elefantes e cavalos em tamanho real que dançam e galopam surpreendem a plateia.

A narrativa contemporânea de Tim Burton é em grande parte fruto de seu olhar afiado e de sua excentricidade. Mas, assim como a evolução do circo, é também reflexo das transformações ocorridas, especialmente, nas últimas décadas. A questão ambiental, o politicamente correto, a valorização e o respeito à diversidade provocaram efeitos no picadeiro.

O circo moderno, criado no século 18 por um ex-oficial da cavalaria britânica como um espetáculo de acrobacias com cavalos, se transformou num espetáculo multimídia. A maioria deles mantém o formato circular e estrutura de lona. Sem animais e com, cada vez mais, recursos tecnológicos.

Um dos pioneiros no uso de novas tecnologias (e do espetáculo livre de maus tratos animais) foi o Cirque du Soleil. As mais recentes foram os drones movidos por controle remoto, numa coreografia sincronizada. Batizado Sparked, o número conta com dez drones quadricópteros, iluminados como se fossem luminárias que seguem os movimentos do personagem. No espetáculo “Toruk – The first flight”, um aplicativo baseado numa plataforma de processamento de dados em tempo real, permitia que o público interagisse com os personagens e os cenários durante a apresentação.

Assim como em outros setores, as fronteiras entre shows, teatro e circo estão desaparecendo, diz Arie Halpern, empresário especialista em tecnologias disruptivas. “Espetáculos como esses nos deixam com a estranha sensação de não saber distinguir mágica de efeito tecnológico.”

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