Maior, mais potente e com visão infravermelha, telescópio James Webb pode desvendar as origens do universo

Duas décadas depois do prazo inicialmente previsto, o telescópio espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) será lançado ao espaço. Desenvolvido conjuntamente pelas agências espaciais americana, NASA, canadense, CSA, e europeia, ESA, o novo equipamento é três vezes maior do que o Hubble, que está há 31 anos viajando pelo espaço.

O JWST vai possibilitar saber como era o universo há 100 milhões de anos. O telescópio, que já consumiu investimentos de quase US$ 10 bilhões, consegue enxergar objetos, como estrelas, galáxias e exoplanetas, muito distantes no espaço. Assim, os astrônomos conseguirão explorar cada fase da história cósmica, desde o sistema solar até as galáxias mais distantes do universo, o que deve trazer grande avanço no que está catalogado sobre as origens do universo.

“Segundo os especialistas da NASA, o JWST vai mudar radicalmente o que sabemos sobre a origem do universo”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. Um dos principais diferenciais é que o James Webb só capta imagens em infravermelho, radiação que não é visível ou detectável por meio do telescópio Hubble.

Como a luz infravermelha tem um comprimento de onda mais longo, poderemos olhar mais para trás no tempo. Será possível enxergar a poeira que se forma ao redor das estrelas em que os planetas se formam, assim como as galáxias mais distantes, as primeiras que surgiram no universo e que até hoje não podem ser vistas.

Outra característica fundamental é um “escudo” protetor solar que tem as dimensões de uma quadra de tênis oficial, pois o equipamento precisa suportar temperaturas muito baixas de até menos 200 graus centígrados.

1,5 milhão de quilômetros da Terra

O lançamento será feito na Guiana Francesa, na América do Sul. Para chegar até a base de lançamento da agência europeia, o telescópio viajou por 16 dias num contêiner com 30 metros de comprimento. A previsão é que o James Webb leve seis meses a bordo do foguete Ariane 5 para chegar até o ponto Lagrande Terra-Sol L2, que fica a 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

O JWST não é o primeiro telescópio da Nasa que consegue captar imagens em infravermelho. O Spitzer, em órbita desde 2013 e aposentado em janeiro do ano passado, também conseguia fazer isso, mas o espelho primário do James Webb é quase 60 vezes maior. Sua vida útil, limitada pela quantidade de combustível usado para manter a órbita, está estimada em dez anos.

O projeto do novo telescópio começou em 1996 e inicialmente previa o lançamento ao espaço em 2007. Problemas detectados durante os testes de montagem de lançamento acabaram provocando sucessivos adiamentos.

Durante o lançamento, a espaçonave é submetida à uma variedade de forças mecânicas, vibrações, mudanças de temperatura e radiação eletromagnética. Todas as avaliações técnicas realizadas pela Arianespace sobre os aspectos-chave da missão, incluindo a trajetória de lançamento e separação de carga útil, mostraram resultados positivos.

O telescópio Webb talvez não seja capaz de mostrar de forma definitiva se há vida em algum planeta, mas ele certamente possibilitará mapear o espaço com mais detalhes e, quem sabe, identificar oceanos ou outros aspectos que nos levem mais longe na exploração e na compreensão do espaço.

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