Arie Halpern: malas, rodinhas e disruptura

patentemalarodinhas

Foto: Google

Desde quando malas têm rodinhas? Parece incrível, mas as malas não nasceram com elas. A patente, de número 3.653.474, foi requerida nos Estados Unidos em 1970, e concedida dois anos depois.  Foi tão  tardia a ideia de equipar malas com rodinhas que o caso se tornou um clássico na história das inovações disruptivas em produtos.

O pai da ideia foi um americano de Massachussets, Bernard D. Sadow, que já era executivo de uma fábrica de malas quando teve o insight de sua vida. Ele voltava de uma viagem de férias, com família e bagagens, quando cruzou a sua frente um funcionário do aeroporto transportando, quase sem esforço, uma enorme máquina sobre um carrinho. Conta a lenda que ele virou-se para a esposa e declarou: “Rodas – isso é o que falta às malas”.

Sadow era um inventor nato. Quando morreu, em 2001 aos 85 anos, tinha mais de vinte patentes registradas. Assim que voltou ao trabalho fez um protótipo da mala com rodas. Seu modelo era muito diferente do que hoje conhecemos: a mala tinha quatro rodas e era puxada por uma alça, como um cachorro pela coleira.

A novidade esbarrou, de início, no conservadorismo do comércio. Receava-se que os homens não veriam com bons olhos algo que pusesse em questão a sua capacidade de carregar malas no muque. Essa é a sina de muita inovação: a resistência do mercado e das pessoas à mudança de hábitos, mesmo quando é evidente a vantagem que ela traz.

Para quebrar as barreiras, foi preciso uma mãozinha do marketing – uma promoção da Macy’s em Nova York apresentava aos consumidores as «malas que deslizam». Quinze anos depois, outra inovação consolidaria o novo conceito. Em 1987, um piloto da Northwest Airlines, Robert Plath, dotou sua mala de duas rodinhas, em lugar das quatro de Sadow, e acrescentou-lhe uma alça telescópica.

Apesar de terem demorado tanto a surgir, as novas malas  adaptaram-se plenamente a um mundo em que as viagens aéreas tornaram-se populares, os aeroportos ficaram maiores, as mulheres passaram a viajar sozinhas com mais frequência e os homens deixaram de se sentir ameaçados por elas, rodinhas.


Comentários

Arie Halpern: malas, rodinhas e disruptura — 4 Comentários

  1. Muito interessante a história! Acrescentaria também a revolução das malas com quatro rodas que giram 360 graus… Viajar ficou muitíssimo mais leve!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *