Marcas de luxo investem para garantir espaço e vendas no mundo virtual

Quatro mil dólares. Esse foi o valor pago por uma versão digital de uma bolsa da coleção Dionysus da grife de objetos de luxo italiana Gucci vendida no metaverso. Batizada em referência ao Deus grego Dionísio, estampada com o monograma da grife e com uma abelha rainha bordada na frente, o modelo foi posto à venda na plataforma Roblox.

Em meio a outras réplicas virtuais de peças de edições limitadas de suas coleções, a Gucci oferecia a bolsa por US$ 5,50 numa promoção feita em parceria com a plataforma de jogos online. Mas pouco tempo depois, o item passou a ser revendido por muito mais. Os cerca de R$ 20.000 pagos pelo modelo são quase o dobro do preço que a bolsa é vendida no mundo real. Ou seja, já chegamos ao ponto em que um item virtual supera o valor do bem físico.

A cada dia, novas marcas anunciam sua entrada no mundo virtual tridimensional do metaverso. A própria Gucci anunciou recentemente a compra de espaço em outra plataforma de jogos, a Sandbox, para desenvolver uma experiência de varejo no jogo que espelha sua loja virtual Vault. Outra grife, a suíça Philipp Plein investiu mais de um milhão de dólares na compra de um terreno virtual de no metaverso Dreamland. O plano é instalar ali o Plain Plaza, um complexo com lojas, museu, hotel e espaço para eventos.  Outras marcas de luxo, como Burberry, Louis Vuiton, Prada e Balenciaga também já fincaram suas bandeiras no universo da realidade virtual e aumentada.

No videogame de esportes radicais Riders Republic, os jogadores podem adquirir roupas e equipamentos virtuais, como esquis e motos para andar na neve, da marca Prada, que também lançou o jogo Prada beyond the line. Já a centenária marca de luxo francesa Balenciaga fez uma parceria exclusiva com a Epic Games, desenvolvedora do jogo Fortnite, na qual os jogadores podiam comprar roupas inspiradas em suas peças em uma loja virtual. E no mundo real, lançou uma coleção Fortnite x Balenciaga que dá direito a quem comprá-las a desbloquear mesma peça no metaverso.

Carteirinha de associado

Um videogame de moda batizado Blankos Block Party foi a aposta da britânica  Burberry. Nele, os jogadores podem comprar tokens não fungíveis (NFTs) do boneco de vinil Blanco. Uma das versões vêm com o monograma da Burberry, assim como acessórios que incluem braçadeiras e sapatilhas. NFTs, aliás, são outra aposta das marcas de luxo.

As grifes Dolce & Gabbana e Givenchy se associaram ao designer gráfico mexicano Chito para criar uma coleção de 15 NFTs, seguidas pela Balmain, que fechou parceria com a Barbie, pela Prada que se juntou à Adidas e a japonesa Kenzo, que criou 100 NFTs de sua mais recente coleção para sortear entre os clientes que comprarem uma peça física em suas lojas.

“Estas e várias outras marcas já estão investindo para criar suas comunidades no metaverso antes mesmo que ele se torne uma realidade para a maioria de nós”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas. “Ao lançarem seus produtos nas plataformas, eles se tornam mais do que um item virtual, mas, sim, uma espécie de carteirinha de associado”, completa.