Metrô de SP estuda implantar sistema de IA que mede temperatura dos passageiros

Um dos principais gargalos para a retomada das atividades produtivas na crise do novo coronavírus é a adoção de medidas de contenção da propagação da doença nos meios de transporte de massa nas grandes cidades. Nos sistemas de ônibus urbanos, trens e metrôs, há aglomeração de pessoas pelos menos duas vezes por dia, no pico da manhã e no da tarde, de forma que outras medidas de distanciamento social nos locais de trabalho, de compras ou de lazer podem não ser eficientes se esse ponto específico não for melhorado.            

Metrô de São Paulo forma um conjunto de transporte sobre trilhos com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e com as empresas terceirizadas que gerenciam algumas linhas da capital. Juntas, levam mais de 8 milhões de passageiros por dia, numa rede de 370 quilômetros. A linha 3-Vermelha, que liga as regiões leste e oeste de São Paulo, é a mais lotada, e tem uma média de incríveis sete passageiros por metro quadrado no horário de pico.            

“Não há dúvidas de que qualquer pessoa que tome conhecimento dessa situação vai perceber na hora o perigo de contágio nos meios de transporte público”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. No entanto, Halpern entende que a tecnologia de informação aplicada em larga escala pode ajudar a controlar a situação, como foi feito em outros sistemas de transporte no mundo tão lotados quanto os do Brasil. “Na China, por exemplo, programas de reconhecimento estão ajudando a verificar se os usuários do metrô estão com a temperatura do corpo alterada, o que pode ser indício de contaminação pela covid-19”, diz.

O metrô de São Paulo está se inspirando na experiência chinesa para implantar um sistema semelhante. A  empresa  do governo do Estado lançou nesta segunda-feira, dia 22 de junho, um chamamento público para receber projetos-pilotos de monitoramento da temperatura corporal de seus usuários. Entre os requisitos está o funcionamento remoto, que abastece um sistema de inteligência artificial (IA) capaz de detectar passageiros com febre, e, assim, com um alerta de segurança, impedir que eles acessem locais de aglomeração nas plataformas e trens.

Uso de máscaras 

O edital prevê também uma novidade, além da medição da temperatura. O sistema solicitado pelo edital deve ser capaz de identificar se os usuários estão usando as máscaras de proteção, e de forma correta. O uso do equipamento já é obrigatório no transporte sobre trilho de São Paulo, mas o volume de usuários torna difícil o trabalho dos fiscais. O prazo para as empresas manifestarem interesse é 22 de julho.

Com informações: Blog Metrô CPTM; Viatrolebus; Metrô de São Paulo; G1; OMS.