Minério de ferro é a solução promissora para a intermitência na geração de energia com fontes 100% renováveis

Uma bateria segura, barata e capaz de armazenar energia por longos períodos é o Santo Graal perseguido por todos que buscam novas tecnologias para o setor de energias renováveis. Esta é a solução para o desafio da intermitência inerente à geração solar e eólica. As atuais soluções dependem de fontes fósseis ou têm alto custo, o que dificulta sua viabilidade no longo prazo.

Uma startup americana acaba de anunciar uma bateria capaz de fornecer energia por vários dias e a um custo em torno de um décimo do preço das baterias de lítio, as mais usadas até agora, mas que conseguem abastecer a rede por poucas horas. Ainda em fase de testes, o modelo usa minério de ferro. Se ela se provar viável, será a forma mais barata de estocar energia para uso em redes elétricas usando 100% energia renovável.

Fundada há quatro anos, a Form Energy, desenvolveu uma bateria que funciona por meio da oxidação reversível do ferro. A bateria contém milhares de pequenas pelotas de ferro que, no modo de descarregamento, são expostas ao ar e enferrujam (o ferro se transforma em óxido de ferro). Quando o sistema é novamente carregado com uma corrente elétrica, o oxigênio da ferrugem é removido e ele volta a ser ferro.

A empresa, que recebeu investimentos do fundo climático mantido por Bill Gates e Jeff Bezos, entre outros, anunciou a instalação de um projeto-piloto, nos Estados Unidos, no qual vai estruturar um sistema capaz de armazenar 300 MW usando baterias de ferro de longa duração.

Mineração urbana para mover carros elétricos

“Há diversas soluções sendo pesquisadas e testadas para resolver a questão da intermitência na geração de energia usando fontes renováveis, como solar e eólica. Muitos delas, porém, esbarram em limitações como o alto custo”, explica o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern. A própria Form Energy testou outros elementos e processos antes de chegar às baterias de ferro. Hidrogênio verde e bombas de água pressurizada são alguns destes caminhos.

No campo das baterias para os carros elétricos, a solução inovadora é o que vem sendo chamado de mineração urbana. Uma dessas iniciativas, proposta por outra startup, a Redwood Materials, recolhe baterias de celulares e notebooks que já não são utilizadas e pulveriza seus componentes para extrair minerais como cobalto, níquel e lítio, que são depois usados para produzir novas baterias.

Segundo JB Straubel, fundador da empresa e ex-diretor de tecnologia da Tesla, a solução resolve o problema da escassez de materiais, já que as jazidas de minérios em vários países não terão condições de atender o mercado futuro de carros elétricos.

A empresa recebe cerca de 60 toneladas de baterias usadas por dia e já produziu material suficiente para fabricar 45 mil baterias para carros elétricos. Porém, o processo é intensivo em matéria-prima. A estimativa é que é são necessárias dez mil baterias de celulares para produzir uma para carro.