Missões com tripulação civil levam atores e diretores de cinema para gravar no espaço

Pela sexta vez, no intervalo de algumas semanas, acompanhamos o lançamento de uma nave espacial tripulada por cidadãos comuns. Ou nem tanto, já que a novidade, desta vez, foi, finalmente, a chegada do Capitão Kirk ao espaço. Personificado pelo ator americano William Shatner, o personagem marcou a infância e adolescência de muitos de nós no fim dos anos 1960, na série de TV Jornada nas Estrelas.

De quebra, aos 90 anos, o ator se tornou também a pessoa mais velha a ultrapassar a fronteira da Terra. O título pertenceu à Wally Funk, 82 anos, por menos de três meses. Ela foi uma das passageiras da primeira missão da Blue Origin, do fundador da Amazon, Jeff Bezos, em junho. As duas viagens usaram a nave New Sheppard, um veículo autônomo reutilizável.

Dias antes, mas com menos repercussão, a nave russa Soyuz levou à Estação Espacial a atriz Yulia Peresild, o diretor de cinema Klim Shipenko e o astronauta Anton Shkaplerov. Eles ficaram no espaço 12 dias, nos quais gravaram cenas do filme TheChallenge. No enredo, uma cirurgiã, interpretada pela atriz russa, vai à Estação Espacial numa operação para salvar um astronauta.

Para cumprir a missão, a equipe se preparou no Centro de Treinamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, em Moscou. Durante quatro meses, eles tiveram uma preparação pesada e simulações com gravidade zero. Além de ensaiar todos os detalhes para conseguir filmar no espaço considerando as limitações de movimento, iluminação e outros aspectos técnicos.

Grandes empresas não estão sozinhas na corrida espacial

Filmes sobre o espaço não são novidade, mas até hoje todos foram gravados na Terra. Com a possibilidade de civis viajarem para fora da Terra, o cenário passa a ser real. Recentemente, a plataforma de streaming Netflix filmou a missão Inspiration4, da SpaceX, a primeira cuja tripulação era totalmente civil, para um documentário. A empresa do milionário Elon Musk levará em breve o ator Tom Cruise e o diretor Doug Liman, além do ex-astronauta Miguel López-Alegría, para gravar cenas de um longa-metragem.

“A Blue Origin, que levou ao espaço o capitão Kirk, e a Space X, juntamente com a Virgin Galactic, são as três empresas de maior destaque nesta nova era da corrida espacial. Elas atraem grande atenção da mídia e da população mundial, seja pela estratégia agressiva ou pela popularidade de seus líderes. Mas elas não estão sozinhas na disputa”, destaca o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Fundada pelo executivo de tecnologia da informação Chris Kemp, a Astra Space, que fornece plataformas de lançamento espaciais para operadoras de satélite de pequeno porte, fez seu primeiro voo bem-sucedido em dezembro de 2020, com o foguete Rocket 3.2. A norte-americana RocketLab, fundada pelo engenheiro neozelandês Peter Back, disputa contratos da NASA com os concorrentes mais famosos. Seu foguete Electron é o segundo mais frequentemente lançado nos Estados Unidos e tem planos de chegar a Marte em 2025.

Junto com outras empresas que atuam no setor aeroespacial, como Osprey Technology, Genesis Park Acquisition e Transdigm Group Inc, para citar algumas – além, é claro das tradicionais, como Boeing e Lockheed Martin Corp, – elas vêm desenvolvendo tecnologias que estão encurtando a distância entre a Terra e o Espaço.