Missões espaciais vão muito além da disputa entre bilionários

Os voos suborbitais até a linha imaginária de Karman, a fronteira entre a atmosfera terrestre e o espaço, da Virgin Galactic e da Blue Origin, têm efeitos que vão muito além de uma disputa entre dois bilionários (ou três, se considerarmos também a Space X). Tampouco se restringem à discussão sobre se o espaço começa a 80 ou a 100 quilômetros acima da Terra ou a quem ficou mais tempo no ar.

Embora a maioria das notícias sobre os recentes feitos do britânico Richard Branson e do americano Jeff Bezos nos leve a crer que os esforços se resumem a uma corrida, há muito mais entre o espaço e a Terra.

Os investimentos e os avanços que vêm sendo feitos por empresas privadas para a exploração do espaço têm benefícios que são quase imediatos, além dos que iremos experimentar em médio e longo prazos. Entre eles, a redução no custo para colocar satélites em órbita, que amplia a oferta e o acesso à internet no mundo, a obtenção de imagens com mais qualidade, que possibilitam analisar com maior precisão fenômenos climáticos e antecipar seus possíveis efeitos e riscos, e o desenvolvimento de tratamentos na área de saúde. Os poucos minutos em que as naves ficam em queda livre nos voos suborbitais permitem ainda a realização experiências com microgravidade.

Explorar a Lua, colonizar Marte e fazer turismo espacial

Desde que empresas privadas entraram no negócio de exploração do espaço e seus líderes visionários passaram a investir em suas ambições de ultrapassar as fronteiras terrestres, estamos cada vez mais próximos de ter a Lua ou Marte como destinos de viagem.

O projeto mais avançado é o do sul-africano Elon Musk, cuja empresa Space X levou astronautas para a estação espacial e prepara uma missão tripulada à Lua, após mais de meio século desde a última viagem. Ele também já tem missões agendadas para levar turistas à órbita terrestre.

Jeff Bezos, com sua Blue Origin foi o primeiro a levar um turista a bordo de sua nave New Shepard no recente voo suborbital que durou 11 minutos, o primeiro sem piloto. O holandês Oliver Daemen foi não só a pessoa mais jovem a ir ao espaço, mas também a primeira com passagem paga. O fato de a nave levar também a piloto Wally Funk, aos 82 anos a pessoa mais velha numa viagem espacial, é emblemático para o projeto de Bezos de tornar a ida à lua um trajeto possível para qualquer um.

Dos três, o britânico Richard Branson, da Virgin Atlantic, que há poucas semanas também fez seu primeiro voo suborbital tripulado com a VSS Unity, é o que, talvez, tenha a meta menos ambiciosa, mas não menos complexa: fazer turismo espacial. Musk tem como sonho colonizar Marte e Bezos é mais focado na Lua, para onde deseja transferir toda a indústria pesada da Terra.

Juntos, os três bilionários já levantaram US$ 5,5 bilhões em financiamento de capital de risco e têm suas empresas espaciais sediadas nos Estados Unidos. A Virgin Galactic fica no Novo México (no chamado Espaçoporto América), a Blue Origin em Huntsville, no Alabama, perto do Centro Espacial Marshall, da Nasa e a SpaceX está instalada em Boca Chica, no Texas.

Apesar dos objetivos distintos, os sonhos e a ousadia desses três visionários podem trazer benefícios significativos para toda a humanidade.