Mochila high tech guiará astronautas para mapear a superfície lunar

Sem GPS ou referências que possibilitem identificar cada local e guiar a movimentação, a superfície lunar impõe um grande desafio aos astronautas. Na próxima missão tripulada da agência espacial americana NASA à lua, uma mochila high tech ajudará os astronautas a se localizarem.

Batizada KNaCK, sigla em inglês para Kinematic Navigation and Cartography Knapsack, ou mochila cinemática de cartografia e navegação, em português, ela carrega um equipamento capaz de desenhar um mapa 3D em alta definição na superfície lunar. A KNaCK está sendo desenvolvida pela NASA em parceria com a startup Aeva.

Entre suas tarefas, estão o registro de movimentos, a direção do deslocamento e a distância da base e a marcação de locais onde houver formações rochosas ou minerais ainda não conhecidos. Com a possibilidade de localizá-los, será possível desenvolver estudos e pesquisas. Poder controlar a distância da base, por exemplo, é fundamental para os astronautas que têm uma quantidade limitada de oxigênio para seus passeios exploratórios.

A mochila é equipada com sensores Lidar, os mesmos usados em iPhones e alguns carros autônomos. Desenvolvida na década de 1960, a tecnologia Lidar, abreviação de Light Detection and Ranging, ou detecção e alcance de luz, em português, consiste em sensores que emitem pulsos de laser e mede o tempo que levam para ir do ponto em que estão e refletir de volta no solo e a intensidade com que se propagam. É um sistema de navegação em tempo real, que mede a distância e capta características da superfície por meio de laser, funcionando como um scanner para fazer uma varredura do entorno.

Mapeamento no escuro ou na luz intensa

Esta tecnologia pode ser especialmente eficiente para explorar partes da superfície em que não há iluminação e outros onde há luz tão intensa que não é possível observar a olho nu. Como no polo sul, por exemplo, onde o ângulo fixo em relação ao sol cria locais de sombra profunda com alguns pontos brilhantes.

Situações em que o lidar consegue fazer o mapeamento

Já usado em atividades industriais e científicas, inclusive em satélites, o Lidar vem aumentando suas aplicações. “Um dos fatores que determina a velocidade dessa expansão é a dimensão do equipamento necessário para cada fim. Quanto maior o sensor, mais feixes ele é capaz de emitir e maior é a amplitude e a precisão da varredura tridimensional que ele faz. Essa é a parte do desafio em que a Nasa e a Aeva estão debruçados”, explica Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Para que os astronautas possam usar a tecnologia na lua, o equipamento precisa ser menor e mais leve. Outras adaptações estão relacionadas às mudanças nas condições atmosféricas, como a ausência de gravidade, a exposição à radiação, a capacidade de absorver o choque e a vibração durante a fase de lançamento e a resistência ao calor.

Atualmente, a mochila que leva o equipamento pesa 18 quilos está em testes no deserto do novo México. Ela ainda é relativamente grande para ser adicionada ao traje espacial. A meta de NASA é reduzir o tamanho e o peso, tornando-a portátil. Os mesmos sensores também serão acoplados aos rovers, os robôs móveis usados para explorar o espaço.