Molécula detectada em Vênus indica vida extraterrestre

Depois de séculos de especulação, pela primeira vez na história, a ciência obteve uma evidência concreta de que é possível haver vida em outros planetas. O anúncio foi feito na última segunda-feira, dia 14 de setembro, por uma equipe internacional de pesquisadores, formada por cientistas do Reino Unido, Estados Unidos e Japão. A prova foi a descoberta de uma substância na atmosfera de Vênus que só é produzida por processos biológicos, uma espécie de assinatura química. Esse elemento é a fosfina, que na Terra só existe por atividade industrial ou produzido por micróbios em meios sem oxigênio. A descoberta foi relatada na respeitada revista científica Nature Astronomy

 

“Cerca de um ano atrás, os pesquisadores descobriram que a fosfina seria uma ótima indicadora de atividade biológica em outros planetas, uma prova robusta, e a partir dessa conclusão começaram a procurá-la, até que, em pouco tempo, acabaram encontrando o elemento em Vênus, vizinho ao nosso planeta”, explica o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Ele se refere a uma pesquisa do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Nela, foi verificado que a fosfina é produzida apenas por seres vivos, e por nenhum outro processo químico. Elas são o resultado de atividade biológica de organismos anaeróbicos, de micróbios que não precisam de oxigênio para viver. “É claro que, se há atividade microbiana num planeta tão próximo ao nosso, haveria muita chance de que a vida seja abundante pelo universo”, completa Halpern.

 

A fosfina é um composto químico malcheiroso, encontrado na Terra apenas em alguns lugares raros, como montes de esterco de pinguim, profundezas de pântanos e nos aparelhos digestivos de texugos e de algumas espécies de peixes. Para detectar as bioassinaturas extraterrestre, são analisados os espectros das moléculas, uma impressão luminosa única para cada uma delas, formada pela frequência em que a luz é absorvida ou emitida. A luz da fosfina foi observada no Telescópio James Clerk Maxwell (JCMT), no Havaí, e, depois, confirmada pelo conjunto de telescópios de Alma, no Chile. 

 

Azarão planetário 

Os astrônomos imaginavam encontrar bioassinaturas em Europa, uma das luas de Júpiter, em Encélado, uma das luas de Saturno, ou em Marte. Vênus não constava na lista de planetas mais viáveis, mas foi justamente lá que, para a surpresa dos cientistas, os equipamentos detectaram a fosfina. 

 

Com informações: Nature Astronomy; Folha de S. Paulo; MIT; JCMT; Observatório Europeu Austral. 

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