Nanomedicina teranóstica une diagnóstico e tratamento para o câncer de mama

Uma equipe da Universidade de Tecnologia de Varsóvia, na Polônia, desenvolveu uma nova terapia promissora para o tratamento de câncer de mama. O tratamento é feito por meio da injeção de nanopartículas diretamente no tumor, atingindo as células cancerígenas de maneira direta e evitando a necessidade de tratamentos invasivos, como a cirurgia.

Na nova técnica, as nanopartículas, uma vez injetadas, são aquecidas por laser, criando um campo magnético e liberando substâncias usadas no tratamento de quimioterapia. A combinação das drogas e do calor, por hipertermia magnética e fototermia, destrói as células cancerosas.

A nova terapia se enquadra no conceito de nanomedicina teranóstica, na qual os recursos radioativos usados para o diagnóstico, identificando a localização, forma e a fisiologia do tumor, também levam medicamentos capazes de tratá-lo. Ela possibilita combater o câncer em qualquer estágio clínico e, ao injetá-los diretamente nas células doentes, evita que a radiação e as drogas quimioterápicas destruam, também, células saudáveis e causem uma série de efeitos colaterais.

O câncer de mama é o carcinoma mais comum entre as mulheres em todo o mundo, afetando aproximadamente 2,1 milhões mulheres por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, é a segunda doença que mais acomete as mulheres, atrás apenas dos tumores de pele não melanoma. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer – INCA, este ano 66 mil casos devem ser registrados.

A terapia, que é chamada Nanocargo, foi a vencedora da edição de 2020 do Innovation Radar Prize, que reconhece os projetos de pesquisa mais promissores e inovadores financiados pela Comissão Europeia. “Recentemente, diversas startups, principalmente na Europa, têm se dedicado a estudos promissores de novos tratamentos para o câncer com resultados muito animadores para o tratamento de uma doença que mata mais de nove milhões de pessoas por ano no mundo”, afirma o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Célula do sistema imunológico combate vários tipos de câncer

Outro tratamento promissor para casos de câncer são as terapias com células T. Nelas, as células do sistema imunológico são removidas, modificadas e reinjetadas no sangue do paciente e passam a identificar e combater as células cancerosas.

Nessa linha de tratamento, a terapia mais comum até hoje, a CAR-T, é personalizada para cada paciente, mas só é eficiente em alguns tipos de câncer. Pesquisadores da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, descobriram uma nova perspectiva na terapia contra o câncer: eles detectaram um novo tipo de receptor nas células T, que reconhece e destrói a maioria dos tipos de câncer, preservando as células saudáveis. Os resultados do estudo foram publicados na Nature Immunology. Assim como a pesquisa dos cientistas poloneses, os testes clínicos em humanos devem iniciar em breve.