Não basta ser cripto, tem que ser verde

Além da queda nas cotações, perdendo o título de um dos ativos mais valorizados desde o início da pandemia, as criptomoedas estão na berlinda por causa do grande consumo de energia necessário para a mineração. Para reduzir a pegada de carbono das criptomoedas, um grupo de empresas, ONGs e entidades criou o Crypto Climate Accord.

Com o slogan Make Crypto Green, os signatários assumiram o compromisso de fazer com que todo o ecossistema de criptomoedas se torne neutro em emissões de gases de efeito estufa até 2040 (inclusive compensando emissões do passado). Para isso, definiram como metas intermediárias: atingir zero emissão no consumo de eletricidade até 2030, e ter toda tecnologia blockchain funcionando apenas com energia limpa até 2025.

O Crypto Climate Accord tem cerca de 45 signatários, entre eles a CoinShares, maior gestora de criptoativos da Europa, o conglomerado de blockchain Consensys e as empresas de energia Engie (francesa) e Acciona (espanhola).

O desafio para descarbonizar a tecnologia blockchain não é pequeno. O processo de computação usado para adicionar novos blocos de transações monetárias ao registro público resolvendo equações matemáticas complexas, a chamada mineração, demanda uso intensivo de energia.

Modelo descentralizado em cheque

A mineração do bitcoin, a criptomoeda mais popular e valorizada, assim como a do Ethereum, gasta muita energia. De acordo com o índice de consumo de energia Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index, o gasto na rede de computadores necessária para registrar e criptografar as operações é equivalente a 25% da energia usada no Brasil em um ano. E 60% dela, segundo estudo dos especialistas da Universidade de Cambridge, é gerada por fontes fósseis.

Há outras criptomoedas que usam processos diferentes do que é usado pelo bitcoin, que é chamado “proof of work”, ou prova de trabalho. Recentemente, uma nova criptomoeda, batizada chia, foi lançada com o argumento de ser uma opção mais ecológica.  De acordo com seus criadores, ela usa o método de “provas de espaço e tempo” para verificar as transações, e utiliza espaço de armazenamento não utilizado nos discos rígidos dos usuários.

“Mesmo com modelos alternativos, tornar verde as criptomoedas é uma grande missão. O conceito de descentralização que está na origem do blockchain parece ser o primeiro desafio, já que seria necessário convencer todos os envolvidos a usar o mesmo mecanismo de mineração”, alerta Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Os integrantes do Crypto Climate Accord ainda não deram detalhes sobre como preveem descarbonizar o ecossistema das criptomoedas. Eles prometeram apresentar sua proposta na próxima COP26, a conferência do clima da ONU, prevista para ocorrer no fim do ano, na Escócia.