Não vai acabar em pizza

A startup Wing se tornou recentemente a primeira empresa de entregas com drones a obter aprovação da agência reguladora de aviação civil dos EUA. Em breve, moradores de uma área rural no oeste da Virgínia poderão receber produtos de até 1.360 quilos. Para isso, foi necessário cumprir praticamente as mesmas regras de segurança de uma companhia aérea.

A Wing, que pertence à holding Alphabet, a mesma do Google, recebeu também a autorização do regulador australiano para fazer entregas em Canberra. Na Austrália o processo durou 18 meses e incluiu mais de 3.000 entregas.

Apesar das novidades, ainda estamos longe de receber a pizza entregue em nossa porta por um drone. Na verdade, há grande chance de isso nunca acontecer. O uso comercial de drones envolve desafios como ameaças à privacidade, excesso de tráfego, risco de acidentes aéreos e até mesmo o alto ruído sonoro. Isso faz com que seu uso em áreas urbanas seja extremamente complexo.

Mas, por outro lado, o uso de drones vem avançando muito na área da saúde, principalmente em regiões carentes. No final de abril, pela primeira vez um drone transportou um rim doado para transplante. O voo – um trajeto de 40 quilômetros entre o Hospital St. Agnes e o centro médico da Universidade de Maryland, em Baltimore – levou cerca de 10 minutos. O órgão foi transplantado numa paciente que aguardava há oito anos por uma doação.

Entre as inovações tecnológicas desse equipamento alado estão um aparelho para manter e monitorar um órgão humano e um sistema de rastreamento em tempo real, para que a equipe em terra pudesse controlar o percurso.

Socorro aéreo

Na mesma semana, na África, a Zipline anunciou a maior rede de entrega de vacinas em Gana. A fabricante de veículos aéreos não tripulados da Califórnia vai operar 30 drones para distribuir sangue, vacinas e medicamentos para 2.000 unidades de saúde do país. A previsão, segundo o site TechCrunch, é atender até 600 pedidos por dia.

O transporte de vacinas e remédios para populações desassistidas em regiões remotas é um dos principais usos de drones até agora. No ano passado, a australiana Swoop Aero foi contratada pera levar vacinas às ilhas de Vanuatu, na Oceania. A própria Zipline já atua na África, transportando bolsas de sangue para as regiões montanhosas de difícil acesso em Ruanda.

O avanço tecnológico nem sempre acontece de forma disruptiva. Aprimorar sistemas existentes e expandir suas possibilidades de atuação pode ser um diferencial para empresas – e uma forma de prover soluções fundamentais para a sociedade.

É o que acontece com os drones: inicialmente uma tecnologia de uso militar, os veículos voadores não tripulados vêm ganhando diversos usos civis e estão contribuindo para a garantia de acesso a serviços básicos e a promoção da cidadania.