Nasa lança sonda em 2020 para pesquisar vida em Marte

A Nasa, agência espacial norte-americana, prepara para a metade do ano um de seus lançamentos mais ambiciosos dos últimos anos. A missão vai levar até Marte a sonda Mars 2020, com uma missão muito peculiar: descobrir sinais de vida no planeta. Os mais imaginativos, no entanto, não devem esperar contato com seres inteligentes como nos filmes de ficção, nem mesmo atividade biológica microbiana atual, mas sim indícios de que a atmosfera marciana já foi capaz de suportar vida entre 3,5 bilhões e 3,9 bilhões de anos atrás.

Hoje é seguro dizer que o nosso vizinho vermelho e estéril comportou uma atmosfera espessa, rios e grandes lagos de água, que aos poucos desapareceram por motivos ainda debatidos entre os cientistas. O local de pouso da Mars 2020 foi escolhido para maximizar as chances de sucesso em sua missão. Ela vai aterrissar, sete meses depois de lançada, em um delta longo e seco chamado Jezero. O local conectava uma rede de rios que desaguavam numa cratera de 48 quilômetros de diâmetro, com uma lâmina d’água de 450 metros de espessura. Essas condições seriam as ideais para o surgimento de vida unicelular.

A sonda está superequipada para sua missão, com 23 câmeras, dois microfones de altíssima capacidade e lasers capazes de decompor rochas, que então passam por análises químicas. Os dados são enviados para a Terra, mas essa missão quer ir além: vai recolher amostrar que serão deixadas hermeticamente fechadas no solo marciano e recolhidas por futuras sondas a serem lançadas. Assim como sua antecessora Curisoity, que permanece em missão no Mount Sharp, a Mars 2020 tem o tamanho de um carro e seis rodas que lhe permitem se movimentar lentamente por áreas acidentadas, cerca de 200 metros por dia. A expectativa é que a sonda fique ativa por pelo menos um ano no solo marciano, embora missões anteriores tenham superado em muito suas previsões iniciais.

“A corrida espacial ganhou novo impulso com o desenvolvimento recente da China, que provoca uma saudável competição com os Estados Unidos e – em menor escala – com a Europa, projetando adiante toda essa área vital para o desenvolvimento tecnológico”, diz o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern. Ele lembra ainda que durante a corrida espacial que opunha União Soviética e Estados Unidos foram criadas milhares de soluções tecnológicas depois incorporadas ao mercado.

A vida na Terra veio de Marte?

Uma das hipóteses mais instigantes para os cientistas que vão pesquisar possível atividade biológica pregressa em Marte é de que ela tenha sido a origem remota da própria vida na Terra. A hipótese foi apresentada em 2013, com grande repercussão, pelo químico Steven Benner. Naquele planeta teria havido mais tempo e condições mais adequadas para o surgimento das primeiras moléculas de RNA (a base primária da vida), que teriam migrado para a Terra em rochas que se desprenderam do vizinho em colisões de asteróides.

Com informações: Agência France Press; Wikipedia; Nasa; Sci-news.