NASA volta sua atenção para a terra e propõe ações para reduzir os efeitos climáticos

A NASA, assim como outras agências federais dos Estados Unidos, divulgou seu plano de ação para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. As medidas se concentram principalmente em formas de adaptação a um futuro no qual algumas consequências do aquecimento global não poderão ser evitados.

Cerca de dois terços dos ativos da NASA estão a menos de cinco metros do nível do mar, incluindo o Centro Espacial Kennedy, na Flórida, e o Centro Espacial Johnson, em Houston. Furacões, riscos de enchentes e aumento do nível do mar são motivos de preocupação. Quando o furacão IDA atingiu New Orleans, há alguns meses, a unidade de montagem de foguetes Michoud ficou sem energia e foi forçado a usar os geradores de emergência.

Para garantir a continuidade de seu trabalho de pesquisa espacial, a NASA aponta em seu relatório cinco áreas de atuação, que incluem o planejamento de riscos climáticos à medida que novas missões avançam, adaptando a infraestrutura o máximo possível e garantindo o acesso ao espaço, que poderia ser afetado em algumas situações.

“Além de ser um organismo governamental e, portanto, responsável pela garantia do bem-estar da população, a NASA possui ativos muito valiosos, incluindo as pistas e plataformas de lançamentos na zona costeira e muitos projetos cujo clima tem interferência direta. Isso justifica que a agência acompanhe com atenção a questão climática e elabore planos de contingência, além de estar numa posição de vanguarda para avaliar os efeitos e contribuir para a redução de emissões”, afirma o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern.

O plano de ação da NASA detalha os custos em decorrência dos eventos climáticos recentes. Na unidade de montagem Michoud foram necessários cerca de US$ 400 milhões após a passagem de dois furacões e um tornado. Instalações no Golfo e na costa leste tiveram prejuízo de mais de US$ 100 milhões cada e no sul da Califórnia, o incêndio florestal, ocorrido em 2009, que ficou conhecido como Station Fire, queimou parte do perímetro do Laboratório de Propulsão a Jato, que precisou ser fechado.

Tecnologia e educação para minimizar os efeitos das mudanças climáticas na Terra

O plano contempla uma série de medidas para reduzir as emissões de carbono e ações para adaptar suas instalações e ativos aos novos riscos decorrentes dos fenômenos climáticos. Uma das frentes é desenvolver alternativas para tornar as viagens de avião mais sustentáveis, projetando motores, baterias e combustíveis mais eficientes, como uma mistura de biocombustíveis com o combustível de aviação tradicional. A NASA também está pesquisando e investindo em sistemas de propulsão eletrificados de aeronaves que não precisam depender de combustível líquido.

E, talvez, mais importante, ações para conscientizar e educar a população e os legisladores sobre a gravidade da crise climática e a urgência da transição dos combustíveis fósseis para a energia limpa. Os esforços educacionais da NASA costumavam ser direcionados a cientistas.

No que diz respeito aos seus ativos, a agência está desenvolvendo formas de tornar as estruturas mais resistentes e sistemas de geração de energia próprios. Os esforços também incluem a construção de dunas ao largo da costa para atuar como barreiras contra tempestades e estabilização das linhas costeiras para proteção contra grandes ondas. Ainda de acordo com o plano climático, qualquer nova infraestrutura deve ser localizada acima de um nível mínimo.

A NASA conta também com dados de sua frota de satélites de observação, capazes de rastrear tempestades causadas pelo clima, derretimento de placas de gelo, incêndios florestais e emissões de carbono. O olhar da agência historicamente voltado para o céu, agora precisa prestar atenção também à terra.