NFTs vão muito além da coleção de imagens de macaquinhos entediados

Criados em 2014 pelo artista Kevin McCoy e pelo empreendedor Anil Dash, os non fungible tokens (NFT) movimentaram no ano passado um total de US$ 12 bilhões. Nos últimos dias do ano, a obra “Merge” quebrou o recorde de maior valor, vendida por US$ 91,8 milhões. Trata-se do item digital mais caro do mundo. Até então, o título era da imagem “Everydays: The First 5000 Days”, leiloada por US$ 69,3 milhões.

Já a coleção de dez mil desenhos digitais de macacos entediados, batizada de “Bored Ape Yacht Club”, movimenta cerca de US$ 1,2 bilhão. Já a versão NFT das notas manuscritas da música Hey Jude, dos Beatles, foi vendida por US$ 76,8 mil por Julian Lennon, filho de John Lennon.

Idealizado como uma forma de provar a autenticidade de algo em um mundo onde cópias ilegítimas se parecem exatamente com a coisa real, até então os NFTs eram usados apenas em obras de arte eletrônicas, vídeos, músicas, GIFs, memes, tuítes e personagens de games.

Recentemente, um grupo de investidores anunciou a criação de um restaurante em Nova York no qual os frequentadores terão acesso exclusivamente com a compra de um NFT. Batizado de Flyfish, ele será uma espécie de clube onde serão servidos frutos do mar. A compra do token garante somente a adesão e a entrada no local.

Nesse caso, a exclusividade é o atrativo que justifica o uso de um NFT. Eles são a forma de comercializar algo como uma propriedade única e insubstituível, garantida por meio de um sistema criptografado. Isso se torna ainda mais importante se os compradores valorizam mais a versão original de um item do que uma cópia digital perfeita.

Controle sobre os dados pessoais de saúde

Assim, os NFTs passaram a ser vinculados também a itens únicos no mundo físico, como títulos de propriedade e tênis caríssimos, para os quais a prova de autenticidade é crucial. Também por isso, se consolidaram como uma forte tendência entre celebridades. Outra característica é que têm potencial para que o comprador do original possa cobrar royalties de quem usar o item.

Se para muitos ainda parecem restritos a um universo excêntrico e pouco palpável, os NFTs podem ir muito além disto. Até porque, mesmo que muitos artistas plásticos sérios e renomados estejam aderindo a ele, não é necessariamente a qualidade estética que está em jogo. Inclusive, a maioria das obras mais valiosas é criada com o uso de algoritmos.

Especialistas em bioética do Baylor College of Medicine publicaram um artigo na renomada revista Science no qual afirmam que os NFTs podem servir para que os cidadãos controlem o acesso aos dados pessoais sobre sua saúde. Especialmente na era do big data, em que as informações servem como moeda.

Ao usar tecnologia blockchain, eles criam um registro imutável de quem é o proprietário do item associado ao token e também o registro de vendas futuras, por meio de um sistema de chaves de criptografia que preserva o anonimato de todos os envolvidos.

Voltando ao universo de artes e espetáculos, os NFT chegaram ao Super Bowl. Na final do campeonato da liga mais famosa de futebol americano, que este ano já vem sendo chamada de Crypto Bowl, cada torcedor recebeu um token com sua seção, fila e assento, dando um toque de exclusividade.