Nova tecnologia reaproveita até urina na Estação Espacial

Na estação espacial internacional (ISS sigla em inglês para International Space Station), cada gota de umidade ou vapor precisa ser reaproveitada. Não apenas porque água é um recurso muito escasso fora da Terra, mas, também, porque tudo lá é limitado. O espaço disponível é mínimo e levar qualquer coisa até lá é caro e complexo.

Um novo sistema de recuperação e filtragem aumenta a autonomia, melhorando o suporte à vida. Com uma tecnologia que usa a proteína aquaporina, é possível reaproveitar até a urina dos astronautas.

As aquaporinas são canais que fazem com que a água passe através das membranas celulares. Na natureza, elas são responsáveis pela absorção da água do solo pelas raízes das plantas. Também estão presentes nos rins e em alguns tecidos do corpo humano.

Desenvolvido pela dinamarquesa Aquaporin S/A , o sistema em uso na estação espacial substituiu o antigo que precisava ser substituído a cada 90 dias. Ele condensa a umidade da cabina e a água do sistema de hidratação que fica dentro dos trajes espaciais. Já a urina passa por um processador que a purifica e depois passa pelo mesmo tratamento da água reaproveitada de outras fontes, que inclui vários processos de filtragem e reações químicas.

Do espaço para a Terra

A exemplo do método de filtragem com íons de prata, usado na época das missões Apollo, e hoje usado nos filtros domésticos, a tecnologia já está em uso na Terra.

Na Dinamarca e na Hungria, ela vem sendo usada pelas respectivas companhias de saneamento para remover micropoluentes e resíduos plásticos da água. Estudos mostraram que as proteínas conseguem remover 95% desses materiais com muito menos energia do que os sistemas tradicionais.

A tecnologia usando aquaporinas já é cogitada para resolver o problema da falta de acesso à água potável em diversas regiões do mundo. “São nada menos do que 2 bilhões de pessoas – ou uma em cada 3 – no mundo sem acesso à água limpa que podem estar mais perto de uma solução”, conclui Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.