Novo sistema de processamento pode causar revolução informática em pouco tempo

Um grupo de pesquisa da Universidade de Oxford anunciou na última sexta-feira, dia 29 de novembro, na revista especializada Science Advances, a criação de um sistema de processamento de dados que vinha sendo perseguido por cientistas do mundo inteiro. Ele promete provocar a médio prazo uma verdadeira revolução informática em escala global. A equipe, que também reúne pesquisadores das universidades de Münster e Exeter, conseguiu produzir um dispositivo em nanoescala que pode ser programado para responder simultaneamente a estímulos de fótons e de elétrons. Isso significa que foi criada uma ponte inédita entre a computação óptica, disponível apenas em escala experimental, e a computação eletrônica, que é a que temos nos dispositivos com os quais interagimos no dia a dia.

Há uma série de vantagens nessa configuração, relacionadas à velocidade e à economia de energia. A computação na velocidade da luz, a mais rápida possível no universo (segundo a formulação de Albert Einstein), era um desafio para os pesquisadores até agora. Embora o uso da luz em certos processos tenha sido demonstrado experimentalmente, faltava um dispositivo compacto para interagir com a arquitetura eletrônica dos computadores tradicionais. A incompatibilidade entre a computação elétrica e aquela baseada na luz decorre fundamentalmente dos diferentes volumes de interação nos quais elétrons e fótons operam. Os chips elétricos precisam ser pequenos para operar com eficiência, enquanto os chips ópticos precisam ser grandes, pois o comprimento de onda da luz é maior.

Os pesquisadores conseguiram agora criar um design que permitiu comprimir a luz, através do que é conhecido como “polarizador plasmônico de superfície”. A redução nanométrica, em conjunto com o aumento significativo da densidade de energia, permitiu superar a aparente incompatibilidade de fótons e elétrons para armazenamento e computação de dados.

Expectativas de aplicação

“O que foi anunciado essa semana é grandioso”, diz o especialista em tecnologia disruptivas Arie Halpern. Ele explica que os computadores quânticos, embora estejam cada vez mais próximos de se tornar realidade, ainda têm um caminho a percorrer para provar seu sucesso. “No entanto, quando os cientistas conseguem inserir dados de luz na computação eletrônica que todos conhecemos, as expectativas de aplicações a médio prazo em computadores mais rápidos e econômicos tornam-se muito realistas”, completa Halpern. A equipe da Universidade Oxford afirmou ainda para a imprensa especializada que a capacidade de processamento será multiplicada muitas vezes, com um consumo de energia diminuto, abrindo uma série de novas possibilidade para o desenvolvimento de Inteligência Artificial (IA).

 

Com informações: Universidade de Oxford; Universidade de Münster; Universidade de Exeter; Science Advances; Phys.