O dilema da última milha nas entregas

O volume de compras on-line, que já vinha crescendo, teve uma explosão com o início da pandemia e a necessidade de isolamento social. O volume de entregas diárias em Nova York na última década passou de menos de 360 mil itens para mais 1,5 milhão. E a previsão é de que as compras on-line cheguem a US$ 6 trilhões em 2024, três vezes mais do que em 2017. Há uma variedade de produtos, que precisam ser entregues em menos tempo.

Muito já se falou sobre a necessária readequação no varejo e na tecnologia e processos para suportar as vendas, mas os efeitos sobre a logística de entrega ainda não foram resolvidos. Entre os desafios está a necessidade de embalagens em diferentes formatos, peso, material e resistência para acondicionar adequadamente produtos com tamanhos e características distintas, e, especialmente a questão chamada de “a última milha”, a última etapa de um longo trajeto, que ocorre dentro das cidades. Podemos acrescentar aqui também o problema do descarte das embalagens.

Um produto pode levar semanas percorrendo boa parte do mundo, de uma fábrica na China a um galpão nos arredores de uma cidade brasileira. Mas o ponto mais crítico deste extenso caminho é entre esse ponto e a casa do destinatário. Estima-se que um pacote passa em média por 17 locais antes de chegar ao comprador.

Cientistas vêm se dedicando a projetar embalagens resistentes a diferentes situações. Eles empregam tecnologia digital, software tridimensional, eletrônica impressa e protocolos de fabricação controlados digitalmente para desenvolver embalagens com tecnologia conectada, incluindo QR codes, realidade aumentada, digitalização de smartphone e assim por diante.

Universidades como a Rutgers School of Engineering possuem laboratórios para testar embalagens, verificando até a facilidade de aderência de etiquetas ao material. Grandes empresas de logística como UPS e FedEx mantêm pesquisadores para estudar o uso de materiais como papelão ondulado.

Símbolo das entregas

A caixa de papelão é o maior símbolo do setor de entregas em casa. Mas significa também um dilema sob o ponto de vista ambiental. Antes usada para transportar várias unidades até um ponto de venda, agora usamos uma caixa para cada produto. Adicionar 1 mm de espessura ao papelão, para torná-lo mais resistente, significa consumir uma quantidade significativa de árvores a mais quando multiplicamos por bilhões de caixas. Além disto, custa mais e demanda mais combustível para ser transportada.

A maior quantidade de entregas também aumentou o tráfego de vans nas cidades, geralmente em áreas predominantemente residenciais, com consequentes congestionamentos e dificuldade para estacionar.

Saudados como solução para os desafios das entregas, drones e robôs não resolvem todos os tipos de problemas. O tamanho e o peso dos pacotes, áreas propicias à circulação deles e mesmo a ausência de interação humana, uma vantagem em algumas situações, são limitadores para seu uso irrestrito.

A gigante americana UPS, que entrega 22 milhões de pacotes por dia, desenvolveu um carrinho elétrico, similar aos usados em campos de golfe, com capacidade para 200 kg de carga, para fazer a última milha de suas entregas. Mas para alguns especialistas a solução é híbrida, num modelo em que o entregador é acompanhado por dois ou três robôs que carregam os pacotes.