O que as crianças têm a ensinar aos empreendedores, segundo Arie Halpern

Crianças podem ensinar muitas coisas para os empreendedores, segundo Arie Halpern (Foto: Forbes)

É fácil iludir-se com a ideia de que, no mundo do empreendedorismo, sucesso é uma questão de sorte. Ou é algo para poucos, para aqueles que nascem com o dom de empreender. Sorte e habilidades inatas ajudam, claro, mas o sucesso não está reservado apenas a esses. Muitas vezes ele depende de uma atitude, de um trabalho interior para superar bloqueios. O medo  é um dos principais entraves a ser superado pelos futuros empreendedores, segundo Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas. “Temos de aprender com as crianças e os jovens, que não têm receio de errar”, diz.

Uma das características da infância, que convém copiar, é o exercício da curiosidade. “Essa é uma fonte permanente de inspiração”, diz Halpern. A história da empresa Me & The Bees Lemonade tem os dois componentes: criança e curiosidade. A história da empresa, que foi criada em 2009 e vende sucos em 14 estados dos Estados Unidos, começa com um incidente corriqueiro. A pequena Mikaila Ulmer, do Texas, então com 11 anos, foi picada por uma abelha. O fato despertou seu interesse pelo assunto, ela passou a pesquisar e ficou preocupadíssima quando descobriu que a população de abelhas estava diminuindo drasticamente. Dessa preocupação nasceu a ideia de criar uma empresa de limonadas adoçadas com mel e de destinar uma parcela dos lucros a organizações sem fins lucrativos protetoras das abelhas. Deu certo.

Da curiosidade deriva a mania das crianças de fazer perguntas. Essa é outra competência importante que o empreendedor deve adquirir. “Fazer perguntas é muito importante. Saber quais são as perguntas certas e a quem dirigi-las é fundamental ao analisar um projeto de investimento ou a ideia de lançar um novo produto”, diz Arie Halpern.

Uma menina americana – Sofia Tomov, de 12 anos – ficou intrigada ao tomar conhecimento, pela tevê, que os efeitos colaterais de um medicamento estavam causando mortes entre pacientes. Ela, que já despontava para a vocação de cientista, por conta disso, desenvolveu um algoritmo que permite analisar, com base em informações genéticas, se o paciente tem alguma pré-disposição para sofrer os efeitos colaterais. Tomov é finalista do concurso “Discovery Education 3M Young Scientist”, que incentiva novos cientistas.

Não são raros os casos de crianças liderando empreendimentos. A jovem americana Katie Stagliano, de 17 anos, sensibilizada com a situação dos moradores de rua, criou a organização Katie’s Krops que gerencia 100 jardins espalhados pelos Estados Unidos, todos eles cuidados por crianças, cujo objetivo e produzir alimentos para doar aos necessitados.

Hasan Zafar, 15 anos, e a irmã, Shireen, 13 anos, do Paquistão, criaram em 2016 uma escola gratuita para crianças sem casa ou que não contam com o apoio dos pais para estudar. Como nas famílias paquistanesas é comum que as crianças tenham de trabalhar, a escola idealizada pelos irmãos funciona a partir das 16h. A escola já tem 80 alunos e 6 professores. Em lugar do medo de errar, as crianças tendem a apostar na sua vontade de acertar. Façamos como elas.


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