O uso da tecnologia no combate ao crime

Do antigo radinho de polícia aos equipamentos de ponta, a atividade policial se transformou profundamente, nas últimas décadas, graças ao uso da tecnologia no combate e na prevenção de crimes.

O uso de dispositivos tecnológicos garante maior eficácia dos agentes da lei e aumenta a confiabilidade dos cidadãos na ação da polícia. O uso de instrumentos simples, como câmeras acopladas ao uniforme, reduziu o número de reclamações dos cidadãos em relação à polícia do Reino Unido em 93%, segundo estudo realizado pela Universidade de Cambridge no ano passado.

Em todo o mundo, a criatividade e a tecnologia se combinam para ampliar a ação dos homens da lei, sempre adaptando-se à realidade de cada país e às necessidades de seu povo. Confira algumas tecnologias parceiras da polícia.

Robôs Inteligentes

A polícia de Dubai utiliza um robô para o policiamento das ruas dos Emirados Árabes. A máquina – desenvolvida pela Pal Robotics – fica em locais de bastante tráfego, como shoppings e pontos turísticos e possui uma tela touchscreen embutida no peito para o uso de cidadãos no reporte de crimes ou para pedir informações. O robô também possui câmeras conectadas aos departamentos de comando policial.

O robô compreende os idiomas inglês, russo, chinês francês e espanhol, além, claro, da língua árabe. Ele mede 1,70 m, pesa 100 kg e tem bateria com duração de 8 horas ininterruptas.

Outra ideia do governo de Dubai é a de um pequeno robô que irá atuar em estacionamentos e vias públicas a fim de emitir avisos de violação de trânsito. O objetivo da prefeitura de Dubai é ter cerca de 25% da força policial utilizando tecnologia robótica até o ano de 2030.

Hora do Rush

Perseguições de carro são apenas uma das atividades de risco inerentes à atividade policial, mas alguns dispositivos visam tornar esse tipo de situação menos perigosa. Para eliminar a necessidade de perseguição, a polícia norte-americana tem testado o StarChase Pursuit Management System, uma espécie de dardo equipado com GPS e que pode ser disparado contra um veículo em fuga. Ao grudar na lataria do automóvel, o equipamento emite sinais de rastreamento de uma distância segura permitindo uma abordagem posterior planejada contra o infrator.

Cenas de perseguição como as do filme “A Hora do Rush” são coisa do passado, graças à tecnologia. Foto: Warner Bros

Outro sistema interessante é o Automatic License Plate Recognition (ALPR), um dispositivo de três câmeras responsáveis por identificar as placas de todo e qualquer veículo ao alcance das viaturas policiais.  O dispositivo grava os dados da placa e busca no banco de dados da polícia se existe algum crime registrado contra aquele veículo, mesmo que o automóvel em questão tenha participado de uma infração antiga. As câmeras funcionam a uma velocidade alta e são capazes, por exemplo, de registrar a placa de um carro mesmo que ele passe a uma velocidade de 220 km/h.

Mídias sociais

A atuação da polícia não é mais restringida às ruas e becos. Agora, com a popularização das redes sociais, há perfis e comunidades totalmente voltadas aos policias e seu trabalho. A rede social serve para divulgar o dia a dia das corporações e também, em muitos casos, serve como instrumento de investigação para identificar criminosos.

A Lei de Infiltração Policial, sancionada no Brasil em 2017, permite que membros da polícia se infiltrem nas redes sociais por um período de até 720 dias, com autorização da Justiça, para manter contato com possíveis pedófilos. A estratégia tem como objetivo produzir provas para a prisão dos criminosos, como o registro de imagens ou confissões de crimes cometidos.

Inteligência preditiva

Autoridades chinesas estão focando no desenvolvimento de tecnologia de reconhecimento facial combinada à inteligência preditiva para ajudar a polícia a combater o crime antes mesmo de ele acontecer. A plataforma CloudWalk cruza informações de atividades realizadas pelo cidadão para classificar o risco de um crime ser cometido.

De acordo com criador da plataforma, alguém que compra uma faca de cozinha, por exemplo, não é considerado suspeito. Mas, se a mesma pessoa, adquire um martelo e um saco algum tempo depois, a classificação como suspeita aumenta. O software funciona com base nos dados da polícia de mais de 50 cidades e províncias da China, podendo identificar possíveis suspeitos em tempo real.

O gigante asiático não é o único país a aproveitar esse tipo de tecnologia. A cidade de Milão, na Itália, utiliza há mais de uma década uma ferramenta que prevê onde assaltos podem ocorrer com base no histórico de dados. Nos Estados Unidos, mais da metade dos departamentos policiais utilizam sistema parecido.

 


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