Olhos de águia e visão com superpoderes, a promessa das lentes de contato inteligentes

Muito em breve, óculos serão objetos do passado. Perderão seu lugar para lentes de contato inteligentes, que incorporam recursos como realidade aumentada.

Uma startup da Califórnia, a InWith Corp. desenvolveu um método para colocar chips de realidade aumentada em lentes de contato de hidrogel. Especializada em sistemas bio-microeletrônicos e tecnologias oftálmicas, a empresa possui uma parceria com a fabricante de lentes Bausch + Lomb para desenvolver circuitos eletrônicos flexíveis embutidos diretamente nas lentes.

Outra startup, a Mojo Vision, está no mesmo caminho. Ela vem projetando lentes em que incorpora algumas de suas tecnologias proprietárias; uma tela micro LED quase invisível, com menos de meio milímetro, capaz de projetar imagens na retina, além de minúsculos sensores e baterias. Sim, porque um dos maiores questionamentos sobre a viabilidade de uso de lentes com realidade aumentada é como elas serão carregadas.

Com esses recursos, é possível ter diante dos olhos mapas para guiar por lugares desconhecidos, informações sobre os edifícios ou pessoas por onde passamos e assim por diante. Mas, também, textos que precisamos ler e notas de uma apresentação. Também podem ser muito úteis para esportistas, amadores ou profissionais, que podem acompanhar seus indicadores de desempenho sem precisar desviar o olhar para um relógio ou pulseira, por exemplo. “Mais ágeis e focadas, as startups estão avançando a passos largos em soluções que prometem ser um divisor de águas, especialmente para quem tem limitações em um dos sentidos essenciais do ser humano”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Lentes de contato fotossensíveis

Mas, mais importante ainda, as lentes inteligentes representam uma grande vantagem para pessoas com problemas de visão, como glaucoma, degeneração macular e assim por diante. Ou mesmo para quem tem miopia. Com esses recursos, a lentes podem não somente ampliar a imagem real, mas aumentar o contraste e ajudar quem não enxerga com precisão a se mover pelo mundo ao seu redor.

Há poucos anos, a Johnson & Johnson deu um passo à frente ao lançar lentes de contato fotossensíveis, que se adaptam à luminosidade. A Acuvue  Oasys Transitions funciona como se fosse um óculos de sol para as pupilas. A empresa possui projetos em desenvolvimento de lentes inteligentes que ampliam a imagem sob demanda, medem os níveis químicos do organismo e administram medicamentos.

O Google também trilhou esse caminho ao investir em estudos para lentes de contato capazes de medir o nível de glicose da lágrima, mas abandonou o projeto poucos anos depois.