Olhos de lince digitais

Popularizada pelo uso em aplicações de reconhecimento facial e em veículos autônomos, a visão computacional vem ganhando terreno em áreas tão diversas quanto saúde, varejo, segurança e produção industrial.

Capaz de avaliar o volume de perda sanguínea a partir das imagens de gaze/esponjas cirúrgicas ou cânulas de sucção, o aplicativo Triton vem sendo usado em partos e cirurgias. A maior precisão no monitoramento possibilita conter hemorragias mais rapidamente. Assim, reduzindo o risco para o paciente, e, por outro lado, evitando transfusões desnecessárias. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a hemorragia pós-parto é a causa primária de quase um quarto de todas as mortes maternas no mundo.

Startups brasileiras em campo

No Brasil, uma startup desenvolveu um sistema que permite controlar os movimentos de uma cadeira de rodas por meio de expressões faciais. A Wheelie 7, como foi batizada, identifica dez gestos como sorrir, franzir o nariz ou arquear sobrancelhas e os traduz em movimentos como ir em frente ou para o lado.

Melhorar a qualidade de vida de pessoas com limitações de mobilidade também é o principal benefício do aplicativo Eye Talk. Desenvolvido por um grupo de ex-alunos da Unicamp, ele torna possível a comunicação a partir de movimentos oculares. A solução é similar ao equipamento usado pelo físico Stephen Hawking.

O Eye Talk conecta um teclado virtual, cujas teclas piscam em sequência, a uma câmera direcionada aos olhos do usuário. Ao piscar, ele seleciona as letras, compondo um texto que é convertido em fala. A mesma empresa, Acta Visio, criou um sistema de processamento de imagem para verificar a higienização das mãos dos profissionais de saúde, reduzindo os casos de infecção hospitalar.

A visão computacional tem um vasto campo de aplicação em saúde, especialmente na análise de exames de imagens. Estima-se que a quantidade deles triplique a cada ano. A capacidade de analisar essa base de dados se traduzirá em diagnósticos melhores e mais rápidos”, avalia Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

No varejo, a visão computacional está na rede de câmeras que equipa as lojas Amazon Go e registra quando um objeto é retirado das prateleiras, debitando o valor na conta Amazon, por meio do app. Ainda no varejo, a tecnologia é usada em espelhos virtuais que possibilitam provar roupas sem ter de vesti-las e em sistemas de segurança que detectam se o caixa, por erro ou deliberadamente, deixa de registrar um produto.

Segundo a consultoria americana Markets and Markets, o mercado de sistemas de processamento de imagens movimentou US$ 11,9 bilhões em 2018, e deve chegar a US$ 17,3 bilhões em 2023.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *