Os passos para alcançar avanços disruptivos

O dicionário Michaelis aponta disrupção como “ato ou efeito de romper; fratura; quebra de um curso normal de um processo”. O verbete inovação tem como significado “ato ou efeito de inovar”. Percebem a diferença?

Algo que é inovador tem potencial para disrupção, mas há uma distância entre os valores que cada palavra carrega.

Aqui, já dialogamos sobre oito modelos de negócios disruptivos, que foram responsáveis por algumas das mais importantes inovações em diferentes segmentos. Além disso, reforço algumas rotinas para bem administrar negócios disruptivos, mesmo porque até uma grande ideia pode fracassar vítima de erros.

Todavia, o que foi feito pelos precursores de modelos de negócios e tecnologias para atingir a disrupção? Há uma receita?

Não há uma resposta pronta e infalível, mas um trabalho desenvolvido pelo trio Nathan Marston, Erik Roth e Marc de Jong identificou oito elementos que, após análise de dezenas de projetos globais, foram encontrados em empresas, empreendimentos e projetos disruptivos. O material foi publicado na revista McKinsey Quarterly.

O ponto de partida é ter vontade, ou seja, é preciso querer ou, nas palavras deles, importar-se em ter projetos e equipes com potencial para disrupção e estabelecer objetivos e metas com esse propósito.

Desse posicionamento, deve ser concretizada uma rotina de escolhas que, em resumo, significa alocar recursos em um portifólio de iniciativas que possam ter resultados disruptivos. Mas, alertam, é preciso ter coerência e controle de riscos.

Nesse roteiro, como terceira etapa, o verbo descobrir tem um lugar especial. Os dados coletados no estudo demonstraram que ter um gênio na equipe costuma resultar em disrupção; então, não o deixe escapar.

Mas como esse tipo de talento é raríssimo, o que mais se apresentou para projetos disruptivos foi a rotina de exame metódico e sistemático de três áreas: um problema a resolver, a tecnologia para solucioná-lo e um modelo de negócio que gere lucro a partir disso. Ou seja, aposte em descobertas, porque lampejos de criação são raros.

Para elaborar o roteiro de pilares para a disrupção, a pesquisa identificou padrões comuns em empresas, empreendimentos e projetos disruptivos, mas, em alguns casos, não há uma ligação óbvia e direta com o objetivo. Nesse contexto, evolução foi elencada como um elemento primordial e com sentido particular definido pelo estudo: as organizações devem desenvolver novos modelos de negócios com lucros escaláveis para criar condições para evoluir.

E quando o grande objetivo é alcançado – temos nas mãos uma tecnologia, produto ou modelo de negócio disruptivo – o que fazer? Acelere, recomendam os pesquisadores. É preciso vencer a concorrência lançando o novo produto ao mercado rapidamente e de forma eficiente.

E, nesse momento, é preciso acertar a medida e o direcionamento, ter a escala correta. Ou seja, é importante identificar corretamente o mercado e segmentos relevantes para o seu novo produto ou serviço para ter a escala precisa para produção, preço, meios de comercialização e atendimento ao cliente.

Quem pretende trazer a disrupção para o seu negócio também deve entender que os fluxos de talento e conhecimento transcendem os limites da empresa e as fronteiras geográficas. Ou seja, é imperativo ampliar as fontes de ideias e formas de gestão por meio de colaboradores externos, acessando habilidades e talentos de outros.

Por fim, o verbo mobilizar entra em cena. É preciso organizar, motivar e recompensar o time de profissionais em torno de uma cultura de fomento às ideias e ações com potencial para disrupção. Vestir a camisa da empresa é coisa do passado, o importante é ter o time motivado para ter ideias e fazer descobertas.

O que você acha? É possível conjugar e aplicar os oito elementos para formar um time vocacionado para a disrupção? Comente nas nossas redes.