Para Arie Halpern, ecologia e robôs mudarão os voos comerciais

Arie Halpern, ecologia será uma preocupação dos voos no futuro

Arie Halpern, ecologia será uma preocupação dos voos no futuro

Quem acha confortável viajar de avião? Difícil achar quem considere que a correria nos corredores dos aeroportos e as horas despendidas durante um voo são experiências prazerosas. Afinal, depois das intermináveis filas do check-in, o que nos espera é o espaço apertado e as restrições a fazer coisas durante os voos.  Isso pode mudar.  Ao chegar ao aeroporto, robôs carregarão suas malas, não será mais necessário aguardar na fila para despachar a bagagem e elas chegarão diretamente à sua casa ou hotel – adeus, esteiras! Mais: hologramas esclarecerão  suas dúvidas e os aeroportos e aviões serão muito mais ecológicos.

Essas mudanças devem acontecer num futuro próximo, acredita Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologia disruptiva. “O número de pessoas no mundo que utiliza avião só tem crescido e o mercado não está conseguindo acompanhar na mesma velocidade a oferta de serviços diferenciados para o passageiro”,  comenta o economista. De acordo com um estudo feito em 2014 pelo Oxford Economics a indústria de viagens globais deve crescer 5,4% a cada ano pelos próximos dez anos. A UN World Tourism Organization, agência da ONU especializada em turismo, calcula que mais de um bilhão de seres humanos viajaram internacionalmente em 2014.

Para Arie Halpern, ecologia e robôs autônomos serão os maiores motivadores das mudanças nos voos comerciais. “Uma das coisas que podemos esperar com o crescimento da indústria de aviação são aviões e aeroportos mais ecológicos, já que a busca por um equilíbrio com o meio ambiente se tornou um pensamento comum para consumidores e empresas”, diz Halpern. Com a previsão de que o tráfego aéreo  dobrará nos próximos vinte anos, engenheiros de aeronaves estão procurando por fontes alternativas de energia e a candidata mais provável até agora é a alga, capaz de emitir 70% menos dióxido de carbono do que combustíveis a base de petróleo. As algas captam tanto o calor do sol como o gás carbônico da atmosfera. Em troca, devolvem uma biomassa que é transformada em biogás, distribuído na forma de energia elétrica ou de calor, gerando uma energia completamente verde.

A ideia de usar algas como combustível, apesar de estranha, está em uma etapa avançada de desenvolvimento. Em 2011, a United Airlines realizou o primeiro voo com este combustível e a startup japonesa Euglena tem planos de comercializar o biocombustível nos próximos cinco anos.

Outra possibilidade é remodelar os aviões para que eles fiquem mais leves e aerodinâmicos, para gastarem menos combustíveis durante as viagens.  A NASA e o MIT criaram um novo design em 2012 apelidado de “double bubble” ou “bolha dupla”, que deve dominar os ares até 2035. Segundo os engenheiros, o novo formato de avião, com asas menores e nariz voltado para cima, economiza o uso de combustível em 70% comparado com um Boeing 737, um dos mais utilizados no mundo.

Halpern aponta que vamos nos acostumar a ver nos aeroportos robôs de vários tipos e até mesmo hologramas. “Os robôs terão várias funções no futuro dos aeroportos”, explica. “Eles ajudarão no processo do gerenciamento das bagagens até devolvê-las aos seus donos. Seu uso  diminuirá as filas, pois poderão otimizar o tempo que humanos gastariam despachando as bagagens ou checando credenciais.” No mundo, aeroportos investiram em 2014  US$ 7 bilhões de dólares em TI, segundo a BBC, e é deste dinheiro que surgirão os robôs auxiliares e check-ins automáticos. O aeroporto de Paris, por exemplou, automatizou o processo de despacho das bagagens, que agora é feito pelo próprio passageiro. O aeroporto de Tokyo possuiu robôs que carregam suas bagagens, assim como robôs que indicam direções e outros que limpam o ambiente.

Não são apenas as companhias áreas que estão olhando para a frente. “A Teague lançou uma lista com ideias disruptiveis para mudar a forma como voamos de avião hoje”, lembra Halpern. “Essas ideias vão de transformar os assentos do meio em assentos exclusivos até entregar sua bagagem diretamente no seu quarto de hotel.” A lista da empresa de consultoria e inovação especializada em produtos, serviços e design foi anunciada na conferência Airline Passenger Experience Association (APEX). Segundo a consultoria, empresas aéreas podem fazer parcerias com empresas como Nike e Apple para oferecer desconto em seus produtos àqueles que comprarem os assentos do meio, tornando-os mais chamativos. Entre robôs auxiliares, hologramas e combustíveis ecológicos, voar de avião será uma experiência muito mais interessante.


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