Para Arie Halpern, a ética dos carros autônomos deve ser discutida agora

Para Arie Halpern, a ética dos carros autônomos é um ponto fundamental que deve ser discutido

Para Arie Halpern, a ética dos carros autônomos é um ponto fundamental que deve ser discutido

Os carros autônomos têm conquistado espaço. Enquanto anos atrás alguns ainda se perguntavam se criar um carro capaz de dirigir sozinho era algo possível, as questões de hoje em dia são muito mais técnicas e até éticas. Por exemplo, o que um carro autônomo deve fazer em uma situação drástica em que não seja possível evitar machucar um ser humano? Quando se torna possível programar em uma máquina a capacidade de tomar uma decisão baseada em princípios morais, o que predominará: o interesse próprio ou o bem comum?

São perguntas como essas que uma pesquisa realizada pela Science e publicada hoje procurou responder. Analisando diversos questionários realizados, a revista científica estudou como as pessoas imaginam que deva funcionar o sistema ético e moral dos veículos autônomos e como as pessoas encaram a decisão das máquinas. “Como os computadores pessoais, os carros autônomos já são uma realidade e estão apenas esperando para entrar definitivamente na vida das pessoas”, comenta Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas. Grandes empresas de tecnologia, como Google e Tesla, têm feito importantes avanços na ciência dos veículos autônomos, inclusive na área de legislação, e o portal Business Insider relata que 10 milhões de veículos do tipo devem ganhar as ruas até 2020.

Isso tudo significa que a sociedade deve parar e discutir como esses carros serão inseridos no cotidiano das cidades e em quais condições e para Arie Halpern, a ética que será adotada nos veículos deve ser discutida agora.

Imagine a seguinte situação: um carro autônomo está se movendo na rua quando, sem aviso, um pedestre entra na frente do veículo. A rua possui muro dos dois lados, então as opções são limitadas: o carro pode continuar em frente e atingir o pedestre ou desviar em direção ao muro e machucar o passageiro. No mundo real muitas vezes, motoristas são obrigados a tomar uma decisão como essa em apenas um segundo. “A diferença entre uma decisão crítica tomada por um ser humano ou uma máquina é que simpatizamos com outra pessoa, mas não podemos permitir que uma máquina tome uma decisão dessas arbitrariamente”, diz Halpern. “Por isso, precisamos debater como queremos que esses carros se comportem em situações específicas em que vidas estão em risco.”

Os cenários usados nos questionários da Science variavam. Em um momento, era perguntado se o carro deveria desviar para fora da estrada ou matar dez pedestres. Em outro, se o carro deveria matar um ou dois pedestres e salvar o passageiro. Algumas situações incluíam crianças no grupo de pedestres ou dentro do carro. Como resultado, a Science levantou que a maioria dos entrevistados concorda que o mais ético é salvar o maior número possível de pessoas, mesmo que isso signifique sacrificar o passageiro. No entanto, a maioria das pessoas também diz que não compraria ou usaria um carro programado para sacrificar os passageiros.

Sobre a hipótese de o governo decidir sobre as leis utilizadas nesses casos, os participantes se mostraram relutantes, mesmo se a escolha do governo coincidisse com a ideia de salvar o maior número de pessoas. Nesse cenário do governo, a maioria afirmou que não compraria um carro com essa regulamentação, mas compraria um carro programado para proteger seu passageiro a qualquer custo.

“Não podemos esquecer que os cenários trabalhados nesta pesquisa serão extremamente raros de acontecer”, diz Arie Halpern. “Os veículos autônomos devem diminuir drasticamente o número de acidentes. Nos três casos de acidente causados pelo carro autônomo do Google, por exemplo, os erros foram de intervenção humana.”

Uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria McKinsey & Company conclui que a utilização dos veículos autônomos reduzirá o número de mortes por acidentes automobilísticos em 90%. Só nos Estados Unidos, isso corresponderia a salvar 300 mil vidas por ano e uma economia de US$ 190 bilhões de dólares em custos de saúde associados a acidentes, conclui o relatório.

“A principal questão que a pesquisa da Science suscita não é se os carros nos colocaram em risco ou não, porque sabemos que eles são seguros. O ponto é, com esses veículos sendo programados antes de ir para as ruas, quem devemos responsabilizar caso algo dê errado?”, explica Arie Halpern. Ainda há muitas questões em aberto sobre a legislação dos carros autônomos que devem ser resolvidas antes que eles cheguem efetivamente às estradas, mas não há dúvida de que a tecnologia veio para ficar.


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