“A participação humana no trabalho será transformada, e não substituída”, diz Arie Halpern

“A participação humana no trabalho será transformada, e não substituída”, diz Arie Halpern

À medida que as máquinas e os algoritmos ficam mais evoluídos, a participação humana em alguns trabalhos vai sendo substituída. As funções consideradas rotineiras e mecânicas, claro, serão fortemente impactadas. Mas em que extensão? E outras profissões, quais são os prognósticos? Com o objetivo de fornecer respostas a muitas dessas indagações, o programador Mubashar Iqbal e o designer Dimitar Raykov lançaram um projeto na internet que dá às pessoas um panorama do que irá acontecer em cada atividade. A página está em inglês e se chama “Will robots take my job?” (“Os robôs irão roubar meu trabalho?”). Basta indicar a profissão e dar o “enter”. Ao mesmo tempo em que substitui certas funções, a automação propicia a criação de empregos em atividades totalmente novas. “A participação humana nunca será substituída, mas será transformada”, diz Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em tecnologia e inovações disruptivas.

O trabalho foi inspirado pelo relatório “The Future of Employment: How susceptible are jobs to computerisation?” (“O futuro do emprego: como os trabalhos são impactados pela informatização?”), escrito pelos pesquisadores Carl Benedikt Frey and Michael A. Osborne. Os professores desenvolveram a pesquisa original para a Universidade de Oxford e concluíram que as máquinas poderão substituir cerca de 47% de nossos empregos nos próximos 20 anos – com maior impacto nas áreas de transporte, logística, atendimento ao cliente e serviços ao consumidor.

Um passeio pelo banco de dados dos pesquisadores nos diz, por exemplo, que funções como a de motorista e caixa de supermercado ultrapassam em 90% as chances de serem desempenhadas por robôs no futuro. Para policiais e bombeiros, as probabilidades são de 49%. Já para médicos e cirurgiões, o risco é quase zero: 0,42%.

Robôs e máquinas recheados de inteligência artificial que podem compreender o comportamento humano e tomar decisões em nosso lugar estão entre as prioridades das empresas de tecnologia em sua corrida por inovações. Assistentes virtuais como Siri, Alexa e Watson, por enquanto, executam funções simples, mas a evolução destes nos próximos quatro anos deve possibilitar a tomada de decisões ainda mais complexas, como a auto-condução para táxis e caminhões.

Como ficarão os trabalhadores que correspondem aos 47% de futuros desempregados? Eles poderão ser remanejados para o supervisionamento e a manutenção destes sistemas automatizados, mas, claro, com a devida capacitação profissional. O aeroporto de Dusseldorf, na Alemanha, por exemplo, tornou realidade um estacionamento totalmente robotizado no qual uma máquina suspende os carro e os move para as vagas – tudo com o pressionar de alguns botões. Em lugar dos manobristas, agora são necessários funcionários para manter e reparar estes equipamentos.

“Quem se lembra da função de telefonista?”, questiona Arie Halpern sobre a profissão que se encontra quase extinta. “A automação é só mais um dos processos com que a humanidade terá que conviver. Num mundo ideal, a tecnologia deveria nos poupar dos trabalhos insalubres ou penosos e propiciar mais tempo para o desenvolvimento de atividades mais elevadas e produtivas”, completa Halpern.


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