Pesquisa cria nanopelícula que pode dar origem a nova geração de eletrônicos

Uma pesquisa coordenada entre cientistas da Universidade de Chicago, Universidade de Cornell e do Laboratório Nacional de Argonne, demonstrou uma maneira eficiente de criar películas extremamente finas de materiais orgânicos. O estudo, publicado em 7 de novembro na revista Science, pode ser uma plataforma para a criação de equipamentos eletrônicos de uma nova geração.

Os cientistas conseguiam até agora produzir camadas extremamente finas, até mesmo com apenas um átomo de espessura, a partir de materiais inorgânicos – e essa havia sido a base técnica para a criação de equipamentos que estão no nosso cotidiano, como os telefones celulares pequenos (em comparação aos primeiros modelos “tijolões”) ou os painéis solares. O problema era fazer com que esse processo pudesse ser replicado com o elemento químico carbono.

O processo usado pela equipe multidisciplinar foi inspirado no efeito de separação entre dois líquidos que não se misturam, como água e óleo. Eles pensaram em usar a linha que se forma entre eles como molde para criar a película perfeita: ultrafina e totalmente plana. Na linha onde os líquidos se encontram é adicionado um pequeno tubo para injetar o material que vai formar o filme. Em seguida os cientistas evaporam ou drenam os líquidos, e o filme desliza suavemente para baixo, intacto.

“Essa é mais uma notícia promissora que vem dos laboratórios de nanotecnologia, e que vai possibilitar nos próximos anos um salto gigantesco nas tecnologias que estão no nosso dia a dia”, diz o especialista Arie Halpern. “Em pouco tempo, com tudo que está vindo, não vamos sequer reconhecer os equipamentos que usamos hoje para nos divertir, trabalhar ou estudar”, completa.

Diferentes camadas, múltiplas aplicações

Uma das mais interessantes características dessas películas é que não há emendas, uma vez que elas crescem de maneira contínua sobre o líquido. Com isso, mesmo à temperatura ambiente, os pesquisadores conseguiram fazer a junção de materiais orgânicos (que contêm carbono) e inorgânicos. Essas combinações de camadas é que vão permitir aos cientistas criar novas aplicações práticas, usando diferentes materiais. Já se pensa em nanorrobôs, um tecido que se dobra ou endireita quando exposto à água ou à luz, membranas para filtrar a água ou aumentar as baterias, sensores que detectam toxinas e até mesmo contadores bits para computadores quânticos do futuro.

Com informações de: Universidade de Chicago; Universidade de Cornell; Laboratório Nacional de Argonne; Science; Phys.