Pesquisa mapeia efeitos da terapia de estímulo elétrico no cérebro

A estimulação cerebral, na qual impulsos elétricos direcionados são aplicados diretamente ao cérebro do paciente, já é uma terapia eficaz para depressão, epilepsia, mal de Parkinson e outros distúrbios neurológicos, mas há uma série de outras aplicações na perspectiva dos pesquisadores. Essa técnica poderia ser em princípio usada para restaurar ou melhorar a memória e a função motora após uma lesão, por exemplo. O problema para avançar, no entanto, é a dificuldade em prever como o cérebro em seu complexo conjunto responderia à estimulação em uma determinada região.

Uma recente pesquisa de um grupo de cientistas da Universidade da Pensilvânia e da Universidade da Califórnia e de hospitais associados desenvolveu um maneira de criar um mapa personalizado que pode melhorar esse tipo de terapia. O modelo descreve com precisão como a atividade cerebral se comportará em resposta à estimulação direcionada, e foi publicado na revista científica internacional “Cell”.

Para testar a precisão do estudo, eles recrutaram um grupo de participantes que já estavam em tratamento para epilepsia grave e, portanto, tinham uma série de eletrodos implantados em seus cérebros. Usando os dados de atividade cerebral de cada indivíduo como insumo para seu modelo, os pesquisadores fizeram previsões acertadas sobre como reagiriam os tecidos, demonstrando que houve evolução considerável em um teste básico de memória. A atividade cerebral dos participantes antes e depois da estimulação sugere que os modelos dos pesquisadores têm uma capacidade de previsão significativa.

“O cérebro humano é a mais desafiadora fronteira da ciência contemporânea, e a cada nova pesquisa que vem a se somar aos conhecimentos já consolidados, damos mais um passo nessa área fantástica e com tanto potencial para melhorar concretamente a vida das pessoas”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern.

Estudo abrangente

O que difere essa abordagem de outras pesquisas sobre eletroestimulação e memória é a abrangência da área do cérebro estudada. A maior parte dos trabalhos desenvolvidos em laboratórios e universidades de todo o mundo se concentra em regiões específicas, principalmente o hipocampo. Os pesquisadores associados da Califórnia e da Pensilvânia, no entanto, conseguiram contribuir para um entendimento muito mais confiável a respeito do potencial desse tipo de terapia, levando em consideração um conjunto de respostas amplo, que pode ser a chave de tratamentos em pacientes que sofrem com distúrbios provocados por doenças degenerativas ou mesmo pelo simples envelhecimento.