Pesquisa mostra que choque de asteroides no espaço ajudou biodiversidade na Terra

Quando ouvimos alguma referência sobre o papel exercido por um meteoro na história natural da Terra nos vem à mente imediatamente a grande colisão que dizimou os dinossauros junto com 75% de toda a vida do planeta, e encerrou a era Jurássica há 65 milhões de anos. De fato, aquele foi um evento determinante para os desdobramentos da evolução. Uma pesquisa recente desenvolvida pela Universidade do Texas conseguiu relatar com precisão esse evento. Os cientistas chegaram à conclusão de que o impacto do asteroide sobre o Golfo do México liberou uma energia equivalente a 10 bilhões de bombas atômicas como as jogadas sobre Hiroshima na II Guerra Mundial. O tsunami que se seguiu foi tão intenso que chegou à região dos Grandes Lagos na América do Norte, onde hoje ficam cidades como Chicago, nos Estados Unidos, ou Toronto, no Canadá. O material particulado levantado pelo impacto fez com que a temperatura do planeta caísse subitamente 7 graus, em média, num efeito que durou por 30 anos.

Apesar de agora conhecido em detalhes, esse evento já é bastante estudado pela ciência, e criou um justificável imaginário de destruição causado por meteoros. No entanto, uma descoberta de pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, publicada na revista Science Advances, conta a história de um outro choque espacial, dessa vez “do bem”. O estudo descobriu que há 465 milhões de ano um asteroide, batizado “Corpo L Condrita Original”, explodiu na órbita de Marte, provavelmente atingido por outro corpo celeste menor. Ele tinha aproximadamente 160 quilômetros de diâmetro, e a poeira resultante chegou a Terra e penetrou na atmosfera, impedindo parcialmente a entrada dos raios solares, por um efeito de turvamento. O resultado foi um resfriamento moderado, que ajudou a provocar uma explosão de diversidade de vida marinha, que anteriormente era saturada apenas por microorganismos, mais propensos a uma reprodução acelerada no calor.

Tecnologia de resfriamento

“Nesse momento no qual há uma grande preocupação no mundo todo sobre os efeitos do aquecimento global, indicar um fenômeno que causou resfriamento, fora da expectativa, é algo muito interessante”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. De fato, cientistas já especulam que um dia seria possível ancorar um asteroide no Ponto de Lagrange L1, uma região do espaço a mais de 1,6 milhões de KM da Terra, e, a partir dele, provocar uma explosão que faria com que a poeira chegasse ao nosso planeta, provocando assim um resfriamento. No entanto, Halpern adverte que esse tipo de tecnologia ainda está muito distante, e colocá-la em prática seria arriscado. As tecnologias do futuro nascem desse tipo de pesquisa, mas neste momento devemos usar o que temos à mão para combater o perigoso efeito do aquecimento global, olhando para nossas próprias forças de preservação”, completa Halpern.