Pesquisadores criam biotecido a base de algas feito em impressora 3D

A indústria têxtil vem ampliando o uso de tecnologia para criar tecidos com diversas propriedades e, acima de tudo, que usem menos energia em sua produção e contribuam para a preservação do meio ambiente e redução dos efeitos das mudanças climáticas. Uma destas alternativas são os biotecidos. “Biotecidos são um material produzido por meio de processos biotecnológicos que substituem as fibras vegetais, animais ou sintéticas usadas no setor têxtil”, explica Arie Hapern, economista especializado em tecnologias disruptivas.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, desenvolveu um tecido feito à base de algas. Usando impressoras 3D e uma técnica de bioimpressão, conseguiram imprimir algas em materiais fotossintéticos altamente resistentes. Eles criaram um material vivo, resistente, durável e capaz de fazer fotossíntese que, além de roupas, pode ser usado na medicina e na produção de energia.

O material fotossintético foi criado a partir de celulose bacteriana, que tem propriedades mecânicas como flexibilidade, tenacidade, resistência e capacidade de conservar a própria forma, mesmo depois de ser torcida ou esmagada.

A celulose bacteriana é usada como papel na impressora 3D, cuja tinta é feita a partir de microalgas vivas. Os dois componentes combinados resultam em um material com as mesmas qualidades fotossintéticas das algas e a resistência da celulose bacteriana que, além de fácil de produzir, é biodegradável.

Roupas que ajudam a purificar o ar por meio de fotossíntese

Materiais à base de algas podem ser usados em biotecidos de alta qualidade, sustentáveis e biodegradáveis. Ao serem usados como peças de vestuário, eles têm o benefício adicional de capturar dióxido de carbono durante a fotossíntese, contribuindo para purificar o ar. Outra vantagem é que, como não precisam ser lavados com tanta frequência quanto as roupas comuns, ajudariam também a reduzir o consumo de água.

O material fotossintético desenvolvido pelos cientistas americanos também pode ser usado em folhas artificiais, que usam a luz do sol para converter água e dióxido de carbono em oxigênio e energia, como fazem as folhas naturais. Elas poderiam ser usadas em colônias especiais, ou em outros lugares nos quais as plantas naturais não se adaptam, para gerar energia sustentável.

Ele também pode auxiliar na produção de películas fotossintéticas para serem usadas como enxerto de pele. O oxigênio gerado durante a fotossíntese ajudaria no processo de cicatrização e até mesmo de cura de uma área danificada, sem a necessidade de curativos sintéticos.