Pesquisas sobre o uso de nanopartículas para estancar sangramento por trauma mostram evolução

O sangramento decorrente de lesões por trauma causa a morte de aproximadamente seis milhões de pessoas por ano em todo o mundo. Para quem sofre um trauma que desencadeia uma hemorragia, os primeiros minutos são críticos e a medicação intravenosa é crucial para controlar a perda de sangue.

Por isso, muitos pesquisadores em diferentes países estudam o desenvolvimento de nanopartículas injetáveis ​​que possam se concentrar no local ou órgão lesionado e atrair células para reduzir ou estancar o sangramento. Elas funcionam como plaquetas sintéticas.

As plaquetas são um dos componentes do sangue que ajudam no processo de coagulação, concentrando-se rapidamente no local da lesão ou aderindo ao revestimento do vaso sanguíneo lesionado, formando uma espécie de tampão. Elas ainda aumentam a formação de fibrina, que forma uma malha de proteína para reduzir o sangramento.

Pesquisadores biomédicos da Case Western Reserve University, em Ohio, desenvolveram uma nova geração de plaquetas sintéticas, feitas com nanopartículas que, a exemplo das naturais, conseguem reduzir e estabilizar o sangramento formando uma cadeia de proteína.

A primeira geração desenvolvida pela equipe, as chamadas nanopartículas pró-coagulantes que imitam plaquetas – PPNs, na sigla em inglês, já atuava na detecção e aderência à lesão. Elas se sobrepõem formando uma espécie de tampão. A novidade é que a nova versão consegue formar a fibrina, que funciona como uma rede fixando as PPNs no local afetado.

Tamanho faz a diferença

Já no Massachusetts Institute of Technology – MIT, uma equipe de engenheiros químicos está investigando como o tamanho das nanopartículas injetáveis, feitas com diferentes tipos de polímeros, interagem com as plaquetas para estancar o sangramento. A maioria dos estudos feitos até hoje avalia as partículas entre 300 e 500 nanômetros. Avaliações feitas com animais mostraram que nanopartículas maiores tendem a se acumular nos pulmões ou em outros órgãos, o que pode causar coagulação não desejada.

A equipe do MIT analisou diversos tamanhos de nanopartículas, pequenas (menos de 100 nanômetros), intermediárias (140 a 220 nanômetros) e grandes (500 a 650 nanômetros). Eles descobriram que partículas com cerca de 150 nanômetros de diâmetro, além de serem mais eficazes para estancar o sangramento, ainda têm menos propensão a se deslocar para os pulmões ou outros órgãos que não o local do trauma.

O próximo passo é testar o comportamento das partículas de tamanho intermediário em modelos animais maiores, para avaliar as doses mais eficazes. “Se os resultados continuarem na mesma linha, em alguns anos essas partículas poderão ser usadas em tratamentos imediatos parar estancar o sangramento em lesões por trauma, evitando a perda de vidas”, afirma Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Se comprovadamente segura e eficiente em ensaios clínicos, a nova tecnologia reforçaria os avanços dos cientistas ao longo de uma década para desenvolver e otimizar o que eles chamam de “substitutos sintéticos de plaquetas”.