Portal Terra publica artigo de Arie Halpern sobre baixa representatividade dos idosos no mercado de tecnologia

Portal Terra publica artigo de Arie Halpern sobre baixa representatividade dos idosos no mercado de tecnologia

Os idosos representam uma parcela cada vez maior da população e, por consequência, do mercado consumidor. Apesar disso, parecem muitas vezes esquecidos pelas empresas de tecnologia. “As empresas subestimam o potencial de mercado representado pelos mais velhos”, afirma Arie Halpern sobre a baixa representatividade dos idosos no mercado tecnológico. “É natural que esse público tenha mais dificuldade com produtos tecnológicos. Mas não são apenas eles que precisam se adaptar aos equipamentos. O maior esforço deve vir da indústria, para adaptar seus produtos aos consumidores”, completa o economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas.

De acordo com o Centro de Pesquisa PEW, 19% da população dos Estados Unidos terá mais de 65 anos até 2030 e haverá um aposentado para cada dois empregados no país até 2050. No Brasil, segundo aponta o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2050, a população idosa triplicará, passando para 66,5 milhões.

São poucas as plataformas digitais que têm pensado no público mais velho. É o caso da Breezie, cuja interface disponível para tablets é apresentada de maneira simplificada. A inspiração para o aplicativo é a mãe do criador Jeh Kazimi. “Eu a vi tentando navegar na internet e vi que ela achava tudo aquilo intimidante e complicado”, diz ele à BBC. “O objetivo era projetar um software que tornasse o ambiente online mais acessível para pessoas com pouco ou nenhuma noção tecnológica”.

Telas pequenas com interfaces complexas e “poluídas” não são a única dificuldade. Os mais velhos sofrem de alguns problemas decorrentes da idade para os quais os dispositivos não parecem estar preparados. As telas sensíveis ao toque, por exemplo, não têm a mesma resposta para crianças e para idosos. Os nervos dos dedos ao decorrer da idade tornam-se mais sensíveis e, portanto, fica mais difícil a resposta do sistema touch. Tremores, comuns entre os mais velhos, também podem sugerir outro tipo de resposta -– o deslizamento ao invés do toque.

“São essas questões sutis que traem nossa confiança e causam confusão”, diz Chris Bignell, porta-voz da Emporia Telecom, criador de um smartphone direcionado aos mais velhos.  A criação de Bignell disponibiliza um aplicativo que oferece tutoriais para pessoas praticarem o toque à tela. Há também um teclado acessório para aqueles que preferem o recurso dos botões.

Uma saída para algumas empresas alcançarem esse público pouco afinado com tecnologia é oferecer menos, como o OwnFone, da Age UK. Outros produtos preferem atender a necessidades específicas, como o telefone Doro, com botões bem grandes. Já o modelo Binatone vem com um botão de pânico incorporado para ser usado em qualquer emergência. “As iniciativas visando ao público dos idosos ainda são muito tímidas”, diz Halpern. “A indústria, de maneira geral, ainda tem de despertar para as necessidades dessa fatia do público”.

 


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