Pouso do robô Zhurong e acampamento marciano põem a China no pelotão de frente da corrida para Marte

Com o pouso do robô Zhurong em Marte, a China se tornou o primeiro país a realizar uma operação de órbita, pouso e deslocamento de um veículo espacial na primeira tentativa. Historicamente, apenas metade das tentativas de pouso no planeta vermelho são bem-sucedidas.

O robô Zhurong, que na mitologia chinesa significa Deus do Fogo, desembarcou numa área chamada Utopia Planitia, uma vasta planície localizada no hemisfério norte de Marte. Equipado com câmeras, radar, laser e painéis solares que fornecem energia, ele vai estudar o ambiente e analisar a composição das rochas.

A quilômetros de distância dos laboratórios da agência espacial chinesa, em pleno deserto, o governo construiu o Acampamento de Marte (Mars Camp). Localizado numa área remota no noroeste do país, na província de Quinghai, a região é conhecida como o lugar que apresenta as condições mais parecidas com as do planeta vermelho. E, ao dotá-la de infraestrutura, o objetivo é experimentar como seriam as condições de vida por lá.

Em uma área de 50 mil metros quadrados, há alojamentos feitos com contêineres que abrigam até 60 pessoas, centro de estudos e equipamentos para treinamento e simulações. Desde que foi aberto, o local experimenta um boom de turismo espacial atraindo profissionais, cientistas, estudantes e turistas.

Alerta de invasão alienígena

As condições de vida no acampamento são planejadas para imitar uma viagem espacial. Os hóspedes comem vegetais cozidos, participam de simulação de missão de resgate em Marte e acordam com uma sirene de alerta de invasão alienígena para ver o nascer do sol no deserto.

“A China vem avançando com rapidez na corrida para desbravar o planeta vermelho”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “Em pouco tempo, conseguiu seu espaço entre os líderes na corrida espacial”, completa.

Desde o início deste ano, três missões aportaram em Marte. Antes da chinesa, chegaram o robô Perseverance, da NASA, e a sonda Hope Probe, da agência espacial dos Emirados Árabes. Além das agências espaciais, estão na disputa os milionários americanos Elon Musk, Jeff Bezzos e o britânico Richard Branson.

O avanço dos chineses impressiona. Com investimento de bilhões de dólares, o país está fazendo na metade do tempo o que a NASA precisou de décadas para conseguir e segue o caminho para cumprir o objetivo ambicioso de se tornar a principal potência espacial em 2040.