Precisamos falar sobre as assistentes de voz

Para promover o Europride 2019, o evento do orgulho LGBTIQ que começa em junho, a cidade de Viena realizou “o primeiro casamento de Inteligência Artificial”. No altar do Palácio Belvedere, Alexa e Siri trocaram votos e foram declaradas “esposa e esposa”. Para cerimônia foram convidadas celebridades austríacas LGTBIQ.

Assistentes de voz das concorrentes Amazon e Apple, elas pertencem a uma categoria em expansão. Dela fazem parte a Cortana, da Microsoft, Google Assistant e Watson, da IBM. Segundo o site Mashable, em breve devem se juntar ao grupo Bixby, da Samsung, Viki, da Nokia e a(o) assistente do Facebook que deve se chamar “M”.

O fato de a maioria dos assistentes ter nome e voz femininos já suscitou diversas críticas, rebatidas com o argumento de que a escolha foi baseada em testes com usuários – as empresas afirmam que a voz feminina é considerada mais acolhedora. Já a IBM, conforme publicou o Medium, buscava uma voz que transmitisse autoconfiança e objetividade, e, portanto, optou por uma voz masculina.

Na escolha dos nomes, o ponto de partida é ser único, fácil de pronunciar e de lembrar. Mas não tão comum a ponto de ser dito inadvertidamente ou ser foneticamente parecido com outro termo.

 

Hiperpoliglotas e sob escrutínio

 

Ao incorporar 24 novos idiomas no início do ano, a assistente do Google passou a liderar em quantidade de línguas faladas, no total mais de 30. Siri domina 21 idiomas, incluindo alguns dialetos. Assim como Google e Cortana, fala inglês e francês com sotaques distintos. Alexa, a assistente com menor domínio de idiomas, está ampliando seu repertório. No início de abril, a Amazon convocou desenvolvedores brasileiros para criar experiências de voz em português.

Porém, desde que há algumas semanas a Bloomberg revelou que funcionários da Amazon escutam as gravações de voz, alguns usuários ficaram preocupados. Segundo a matéria, a Amazon emprega milhares de pessoas no mundo para melhorar seu serviço. Para isso, eles escutam e transcrevem o que é dito para eliminar problemas de compreensão e melhorar as respostas aos comandos de voz.

De acordo com um relatório da Microsoft, 41% dos usuários está preocupado com a privacidade e confiança de suas conversas. “Criadores e desenvolvedores têm agora mais um desafio, não menos complexo”, alerta o especialista em tecnologias disruptivas, Arie Halpern. “Além de solucionar problemas, aprimorar as respostas e ampliar o cardápio de idiomas, precisam superar a perda de confiança”, conclui Halpern.

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