Precisamos pensar em formas disruptivas de descarte para o futuro, diz Arie Halpern

Precisamos mudar a forma com que lidamos com o lixo no futuro, diz Arie Halpern

Precisamos mudar a forma com que lidamos com o lixo no futuro, diz Arie Halpern

Conforme a humanidade cresce, mais e mais coisas vão ficando para trás. Restos de comida, pilhas, objetos quebrados, vidro, espelhos, smartphones, baterias, óculos de realidade virtual – por ano são 1,3 bilhões de toneladas de lixo geradas no mundo, número que deve crescer para 4 bilhões até 2100, segundo o World Bank’s Social, Urban, Rural and Resilience Global Practice. Só o lixo eletrônico, como baterias e pedaços de computador, soma 50 milhões de toneladas. Não importa o quanto a tecnologia ajude nossas vidas, precisamos pensar em formas disruptivas de descartar o lixo no futuro, diz Arie Halpern, economista e empreendedor com foco em inovação e tecnologias disruptivas.

Diversas empresas, governos, ONGs e instituições estão estudando métodos para diminuir o impacto que essa quantidade de lixo pode ter no mundo. Soluções para o problema podem incluir a reciclagem, a transformação dos resíduos em energia e a mudança na forma como as pessoas encaram o lixo. Mas, hoje, dificuldades financeiras e até técnicas fazem com que poucas cidades adotem esses métodos. A Comissão Europeia, por exemplo, voltou atrás em uma série de medidas legislativas sobre reciclagem de lixo que incluíam reduzir o desperdício de comida em até 30% até 2025 por considerar que as metas eram muito exigentes.

De qualquer forma, quem já tem condições de agir considera, na maioria dos casos, a visão de que devemos parar de considerar o lixo como o produto final de uma sequência linear. “Nós vivemos em uma cultura em que é comum jogar coisas fora ao invés de tentar consertá-las”, diz Arie Halpern. “Mas várias movimentos defendem que devemos passar a ver as coisas que vão para o ‘lixo’ como produtos que podem ser restaurados e reutilizados, sem necessariamente passar por um processo de reciclagem.” Um dos grupos que defende essa ideia é o Waste and Resource Action Programme (WRAP, ou “Programa de Ação de Resíduos e Recursos”, em tradução livre). Para incentivar esse tipo de mentalidade, a Suécia criou um programa de redução de impostos para pessoas que consertarem seus produtos (como bicicletas, sapatos ou máquinas de lavar) ou invés de jogá-los fora. A Nike aproveitou a ideia e anunciou, no ano passado, que 71% de seus produtos contém materiais feitos a partir de resíduos de suas linhas de produção.

Outra forma de lidar com o lixo, no caso de resíduos orgânicos, é transformá-lo em energia. Segundo uma análise feita pelo Grand View Research, o mercado global para transformar lixo em energia deverá atingir US$ 37,64 bilhões até 2020. Uma das técnicas utilizadas para tanto é realizada a partir da digestão anaeróbica dos resíduos, em que microrganismos são usados para destruir o conteúdo biodegradável. A energia liberada no processo na forma de biogás pode ser armazenada e utilizada posteriormente. Arie Halpern lembra que esse método, apesar de relativamente lento, é benéfico ao meio ambiente, já que, ao contrário do método de incineração, não libera gases poluentes.

Independente da forma escolhida, o importante é que todos os níveis de governos e a população como um todo tomem atitudes em relação ao tema. “Apesar de termos uma quantidade muito grande de tecnologias à nossa disposição, é essencial que mudemos a forma com que lidamos com o nosso lixo se quisermos diminuir os impactos causados pelo excesso de resíduos”, diz Arie Halpern.


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