Primeiras imagens do telescópio James Webb revelam nascimento de estrelas

As primeiras imagens captadas pelo telescópio James Webb acabam de ser divulgadas pela Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA) e o resultado correspondeu às expectativas. A sensibilidade do Webb à luz infravermelha funcionou para observação através da poeira cósmica, o que resultou em imagens nítidas de objetos nas primeiras e rápidas fases de formação estelar, algo muito difícil de capturar, segundo a NASA.

Em dezembro, o telescópio James Webb foi lançado ao espaço com a promessa de captar imagens capazes de revelar informações sobre a origem do universo. Projetado e construído em conjunto com a agência espacial canadense (CSA) e europeia (ESA), o equipamento consumiu investimentos de US$ 10 bilhões e mais de 20 anos de trabalho.

A recompensa por tanto tempo e dinheiro empenhados chegou!

“Investir em ciência e tecnologia demanda persistência. Ou seja, organizações públicas e privadas precisam ter uma visão de maratonista nessa pauta: corra sempre, mantenha o ritmo, não desista”, diz Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Não são montanhas

Uma das imagens mais impressionantes é o retrato da borda de uma região próxima de uma área de formação de estrelas chamada NGC 3324, na Nebulosa Carina. A foto revelou áreas previamente invisíveis de nascimento de estrelas.

Chamada de Penhascos Cósmicos, a imagem mostra “montanhas” que têm cerca de 7 anos-luz de altura. Ou seja, a intensa radiação ultravioleta das estrelas jovens – que forma o que parece ser um penhasco – se espalhou por uma distância que a luz leva sete anos para percorrer. As fontes mais jovens dessa radiação aparecem como pontos vermelhos na região escura e empoeirada da nuvem.

Segundo os cientistas da NASA, à medida que a borda brilhante e ionizada das “montanhas” se move ou se expande, lentamente empurra o gás e a poeira. Se a borda encontrar qualquer material instável pelo caminho, o aumento da pressão fará com que o material colapse e forme novas estrelas.

Essas informações enviadas pelo telescópio serão importantes para avançar nas pesquisas sobre os fatores que determinam o número de estrelas que se formam em uma determinada região do espaço.

Uma visão muito especial

O telescópio James Weeb, entre outros equipamentos, conta com a Near-Infrared Camera (NIRCam) e o Mid-Infrared Instrument (MIRI). Esses dois instrumentos foram responsáveis pela captação das imagens da região NGC 3324, localizada a cerca de 7.600 anos-luz de distância da Terra.

A NGC 3324 foi catalogada pela primeira vez por James Dunlop em 1826. Visível do Hemisfério Sul, está localizada no canto noroeste da Nebulosa Carina, lar da estrela supergigante ativa e instável chamada Eta Carinae.

A NIRCam é responsável pela resolução nítida da imagem, enquanto o MIRI revela estruturas que estão embutidas na poeira cósmica porque consegue distinguir o brilho de hidrocarbonetos e outros compostos químicos, imprimindo-os em tons de vermelho na imagem. O telescópio carrega outros dois instrumentos científicos, utilizando lentes, filtros e prismas.