Privacidade do usuário impõe limites às tecnologias de reconhecimento facial

Recentemente, a Microsoft derrubou um banco de dados com imagens e informações de milhares de usuários. O principal argumento da empresa para eliminar conteúdo foi o fato de que não é possível garantir totalmente que o uso feito de tais dados seja legal. Todavia, não há certeza de que esses dados tenham sido apagados da rede – eles podem estar disponíveis em outros lugares da internet, mesmo após o apagamento do banco de dados, como vestígios online, dada a dificuldade em se eliminar completamente algo da rede.

As tecnologias de reconhecimento facial têm evoluído de maneira abrupta, principalmente nos últimos anos. Porém, o uso indiscriminado dos bancos de imagens suscita debates sobre os limites entre segurança  tecnológica e o direito à privacidade dos usuários.

Alguns países já se mobilizaram para repensar as suas leis e tentar compreender os riscos do uso não regulamentado da tecnologia de reconhecimento facial. A Inglaterra realizou no mês passado uma audiência no Congresso para debater o assunto. A expectativa é de que outras audiências aconteçam, abordando temas como o uso da tecnologia, sua crescente implantação, falhas técnicas do sistema e, ainda, para se formular uma legislação voltada a atender possíveis casos de violação de direitos.

A cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, foi além na política de restrições: é a primeira a proibir o uso do reconhecimento facial pelos órgãos públicos. A medida levantou discussões sobre o quanto isso afetaria o sistema de segurança da cidade, e se poderia ocasionar retrocesso. Porém, muitas pessoas se manifestaram a favor, argumentando que a privacidade dos moradores da cidade também é importante.

Reconhecimento facial pode ser apenas o início

A Amazon, que está no centro das discussões sobre os sistemas de reconhecimento facial, principalmente por ter sido acusada de vender a sua tecnologia para órgãos de vigilância, já dá sinais de estar investindo em outro tipo de tecnologia semelhante. De acordo com notícias internacionais, a empresa estaria desenvolvendo pesquisas baseadas em dados computados por meio de scaneamento corporal 3D.

Para isso, a Amazon estaria recrutando voluntários através de anúncios online e oferecendo cartões com valores a serem trocados por produtos. Os participantes também precisam assinar contratos de confidencialidade sobre os experimentos, o que tem aumentado a curiosidade do mercado em relação ao tipo de tecnologia que poderá ser lançada pela empresa com o resultado da pesquisa.

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