Privacidade X publicidade: limitação ao uso cookies reacende a polêmica

A limitação do uso de cookies, a ferramenta que possibilita rastrear os dados de navegação e traçar perfis dos usuários para direcionamento de publicidade, reacendeu a polêmica entre privacidade de dados e o mercado publicitário.

O anúncio feito pelo Google há alguns meses de que vai limitar os cookies em seu navegador, o Chrome, e o apelo feito pela agência Information Commissioner’s Office, que regula segurança e privacidade de dados no Reino Unido, durante a reunião das sete maiores economias do mundo, o G7, são os mais recentes capítulos neste debate.

A representante da agência britânica fez um apelo aos países ricos para que unam forças contra as ferramentas de cookies online. Segundo ela, somente um esforço conjunto conseguirá fazer a pressão necessária sobre as gigantes de tecnologia para definir um padrão de uso que preserve dados pessoais.

“Na prática, as medidas defendidas impactam o acesso a dados e farão com que os anunciantes tenham que buscar novas estratégias para segmentar anúncios digitais. Ou seja, uma medida que deverá ter efeitos significativos para o futuro da publicidade e do marketing digital, causando disrupção”, explica o especialista em tecnologia e inovação Arie Halpern.

Embora outros navegadores, como o Safari, da Apple, e Firefox, da Mozilla, já tenham colocado restrições no rastreamento feito por cookies há algum tempo, o anúncio feito pelo Google teve maior repercussão. O Chrome é o navegador mais usado no mundo e tem grande parte de sua receita advinda da publicidade.

Amor e ódio

Na verdade, a medida, cujo prazo para entrar em vigor foi adiado para 2023, não significa o fim dos anúncios e da publicidade no navegador. A solução adotada prevê a substituição dos chamados cookies de terceiros por um conjunto de APIs, chamado Privacy Sandbox.

Desde que surgiram para rastrear os passos dos usuários, os cookies se tornaram uma questão de amor e ódio. Eles se dividem em duas categorias: primários e de terceiros. Os primários são usados pelo próprio site visitado e, geralmente, são úteis, sinalizando, por exemplo, se você está logado ou não.

Já os cookies de terceiros são adicionados ao dispositivo usado (notebook ou smartphone, por exemplo) por terceiros com os quais o site visitado selou acordos. E são usados para rastrear a navegação identificando interesses e traçando um perfil – uma abordagem considerada intrusiva e detestada por muitos usuários, que passam a ser “perseguidos” por anúncios enquanto navegam na internet.

Por isso, os gigantes de tecnologia passaram a buscar novas soluções e mecanismos que garantam a preservação da privacidade dos usuários. Uma forma mais saudável – ou mais transparente e menos intrusiva, de navegação sem abrir mão da receita de publicidade da qual depende o negócio.