Processo disruptivo está mudando a forma como utilizamos os carros, diz Arie Halpern

Empresas tem investido em novas formas de transporte, diz Arie Halpern

Empresas tem investido em novas formas de transporte, diz Arie Halpern

Ter um carro próprio já foi o sonho de muitos, mas a conjuntura está fazendo as pessoas repensarem suas necessidades. Trânsito intenso e custos elevados são alguns motivos que começam a levar os usuários de automóveis a procurar novas formas de se locomover na cidade sem ter de recorrer ao muitas vezes caótico transporte público. Fabricantes de automóveis, como GM e Volkswagen, e empresas relativamente novas, como Uber e Zipcar, estão colocando seus esforços em criar novas formas de as pessoas usarem os carros.

Uma das novas opções trazidas pelas empresas ligadas a transportes é o car sharing, um modelo de aluguel de veículos em que se aluga o carro por hora, ou seja, o sistema é voltado para um uso rápido. A Zipcar é uma das empresas desse ramo. Ela opera nos Estados Unidos, na França, no Canadá, no Reino Unido, na Espanha e na Áustria. “A grande vantagem do car sharing ou de aplicativos como o Uber é que ele não só diminui a quantidade de carros na rua, mas reduz a emissão de dióxido de carbono que a maioria dos carros emite”, diz  Arie Halpern, economista e empreendedor cujo foco de atuação são as tecnologias disruptivas.

Uma pesquisa realizada pela Frost & Sullivan indica que cada carro em car sharing tira 15 outros carros das ruas e que usuários desse tipo de serviço dirigem 31% menos do que quando possuíam um veículo próprio. Além disso, em 2009, os carros compartilhados diminuíram a emissão de dióxido de carbono em 482,170 toneladas. Outra pesquisa, realizada pela RileyRides, mostra que, em média, carros particulares são usados apenas uma hora por dia e ficam estacionados 95% do tempo.

Grandes companhias também estão investindo no modelo. Este mês, a General Motors anunciou que trará para o Brasil  seu sistema de compartilhamento de carros, o Maven, que atualmente funciona nos Estados Unidos. A fase de testes está em execução em uma fábrica em São Caetano do Sul (SP), com sete carros disponíveis, todos com o sistema multimídia Mylink, que permite que o usuário faça a reserva do automóvel pelo celular e trave e destrave a porta do carro. Até o momento, é preciso devolver o carro no mesmo ponto em que ele foi alugado, mas o plano é que na próxima etapa o usuário possa retirar e devolver o carro em pontos diferentes da cidade, como acontece com o sistema de bicicleta em São Paulo, o Bike Sampa. No momento, o usuário paga R$ 35 por hora de uso do carro ou R$ 210 pela diária da GM, valores que incluem combustível e seguro.

“O processo disruptivo no transporte está levando as grandes corporações a repensarem o próprio negócio”, comenta Arie Halpern. “Estamos falando aqui das gigantes que ditaram o comportamento das pessoas no último século, criaram o conceito do transporte individual e familiar, mobilizaram a indústria do petróleo e todo o padrão de uso de combustíveis e de uma galáxia de outros negócios, principalmente em serviços — seguros, estacionamento, assistência, aluguel etc. E a disruptura está fazendo com que as grandes empresas desse negócio tenham de se preparar para outro modo de vida.”

A GM prevê que 30 milhões de pessoas estarão usando serviços de carros compartilhados durante a próxima década. A companhia também tem parcerias com o aplicativo de caronas Lyft para investir US$ 500 milhões em uma rede de carros autônomos.

 


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