Projeto da União Europeia transforma CO2 em energia limpa

As tecnologias de obtenção de energia limpa estão se desenvolvendo de forma veloz em todo o mundo, principalmente a partir da fonte eólica ou solar. Por suas próprias características, no entanto, essas fontes não são estáveis (não são fontes firmes, como falam os técnicos do setor). A geração a partir de pás eólicas depende da intensidade dos ventos e de sua conformidade, e as fontes solares, como é óbvio, só podem produzir durante o dia, além de perderem potência quando a atmosfera está nublada. Mesmo as fontes hidráulicas dependem de épocas de cheias ou vazão dos rios. Esse é um dos principais entraves para a superação definitiva de energia fóssil, já que os combustíveis poluentes, como o carvão e o diesel, podem ser estocados e acionados assim que for necessário.

Para superar esse obstáculo, um ambicioso projeto da União Europeia está tomando forma, centralizado na Espanha, o MefCO2. A ideia é usar a energia produzida em fontes renováveis para produzir metanol, que pode ser usado sem maiores dificuldades técnicas em motores comuns de combustão interna. Isso é feito por meio de um inovador processo de adição de hidrogênio à mistura de carbono e pela filtragem em membranas nanoscópicas. “Há uma maneira bastante conhecida de produzir hidrogênio líquido por meio de eletrólise, e ele pode ser usado como combustível, no entanto, há uma série de cuidados que devem ser tomados na estocagem e no transporte, o que o torna menos interessante, sem falar da adaptação de motores”, explica o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. “Essa tecnologia que está sendo desenvolvia agora, com o metanol, tem uma vantagem dupla: por um lado, ela absorve o gás carbônico de fábricas poluidoras, eliminando emissões, e, na outra ponta, produz combustíveis renováveis, que podem substituir óleo diesel em trens, barcos ou caminhões”, avalia Halpern.

Coordenação e compensações

A cada rodada de desenvolvimento técnico que procura substituir um procedimento de larga escala surgem, normalmente, entraves econômicos. Isso ocorre porque as tecnologias que ainda não estão maduras precisam absorver os custos de seu desenvolvimento, além de estabelecer uma rede de negócios que permita o espalhamento daquele processo. Para superar essa difícil etapa, o projeto conta com o apoio do mecanismo de créditos de carbono, que é uma espécie de câmera de compensações de energia limpa. Além disso, um novo software de negócios voltado para a área de sustentabilidade, o Symbioptima, está ajudando os europeus a conciliar os interesses de cadeias produtivas, como siderurgia, fabricantes de polímeros, siderúrgicas e outros grandes players.

Com informações: União Europeia; UNFCCC; MefCO2; Phys