Projeto visa transformar sinais de wi-fi em energia para aparelhos

Em meio à crise sanitária e econômica provocada pela pandemia de coronavírus, se a sociedade consegue se manter de alguma maneira funcionando e atendendo a necessidades básicas, é por conta da grande rede de interconexão por sinal de internet montada nas duas últimas décadas. Hoje, no Brasil, há 230 milhões de smartphones ativos, mais do que um aparelho por pessoa. Por meio deles é possível estudar, trabalhar, fazer compras, se divertir e – agora – matar a saudade de familiares e amigos durante a quarentena. Mas a evolução rápida dos aparelhos tem um gargalo. O principal deles é o uso de baterias, já que os aparelhos que têm mais funções são exatamente os que consomem mais carga.

Uma série de novas tecnologias busca avançar nas formas de carregar a energia dos aparelhos, e uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, dia 30 de março, pela revista Science Advances, está causando uma grande expectativa para que se possa solucionar o problema de maneira definitiva. Uma equipe do Massachesetts Institut of Technology (MIT) propõe o aproveitamento da energia de uma fonte ilimitada, e que está dispersa por todos os lugares, em todos os ambientes nos quais acessamos os celulares. Qualquer dispositivo que emita um sinal wi-fi também emite ondas eletromagnéticas chamadas terahertz. Essas ondas de radiação de alta frequência também são produzidas por quase tudo que registra um desnível de temperatura com o ambiente, incluindo nosso próprio corpo e os objetos inanimados ao nosso redor. No entanto, até o momento, as ondas terahertz são energia desperdiçada, uma vez que não houve maneira prática de capturá-las e convertê-las em qualquer forma utilizável. Se aproveitadas, seu poder concentrado pode servir como fonte de energia alternativa.

 

“Imagine, por exemplo, um periférico para celular que absorva passivamente os raios T do ambiente e use a energia deles para carregar o telefone, seria realmente um avanço para um novo patamar no uso dos aparelhos”, diz o especialista em tecnologias disruptivas Arie Halpern. Agora, os físicos do MIT criaram um projeto para um dispositivo que deve ser capaz de converter ondas terahertz em corrente contínua, uma forma de eletricidade que alimenta muitos aparelhos eletrônicos domésticos.

 

Mais uma utilidade do grafeno

grafeno, chamado de “material do século 21”, parece dar mais uma prova de suas imensas possibilidades. Os pesquisadores descobriram que o grafeno combinado com outro material, nesse caso, nitreto de boro, tem seus elétrons inclinados a um movimento em direção única. Qualquer onda de terahertz recebida é capaz de “transportar” os elétrons do grafeno, formando uma corrente elétrica.

Com informações: MIT, Science Advances; Phys; Mackgraphe