Que traje usar? NASA contrata desenvolvimento de novas roupas espaciais

No fim de maio, a NASA (Agência Espacial do Estados Unidos) anunciou a suspensão das caminhadas espaciais feitas por astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS), após detectar vazamento e circulação de água nos trajes espaciais dos astronautas Raja Chari (NASA) e Matthias Maurer (Agência Espacial Europeia – ESA), durante saídas realizadas em março. Ambos voltaram ilesos. Porém, o alerta sobre uma ocorrência de 2013 foi retomado: o astronauta Luca Parmitano quase morreu afogado, pois água chegou ao capacete, atingindo boca e narinas.

Os casos levaram a NASA a abrir um processo de contratação para encomendar o desenvolvimento de novos modelos de trajes espaciais com o objetivo de “renovar o guarda-roupas da ISS”. Os modelos presentes na estação foram projetados há 40 anos, sendo o Extravehicular Mobility Unit (1983).

“As atividades de exploração espacial lançam desafios que impulsionam o desenvolvimento de novas tecnologias. As possibilidades de progresso científico se alargam diante de problemas complexos”, avalia Arie Halpern, especialista em tecnologias disruptivas.

Os alfaiates

A NASA selecionou as empresas Axiom Space e Collins Aerospace para criar os trajes para caminhada espacial. Além de reequipar a Estação Espacial Internacional, os novos modelos farão parte da missão Artemis III, cujo objetivo é levar tripulação para o solo da Lua em 2025; numa segunda etapa, o traje fará parte de missões humanas a Marte.

Os novos trajes podem ser equipados com a Kinematic Navigation and Cartography Knapsack, ou mochila cinemática de cartografia e navegação, um equipamento capaz de desenhar um mapa 3D em alta definição na superfície lunar.

Os engenheiros da NASA definiram os padrões técnicos e de segurança pelos quais os trajes espaciais serão construídos. Os parceiros comerciais serão responsáveis pelo projeto, desenvolvimento, qualificação, certificação e produção de trajes espaciais e equipamentos de apoio.

O modelo de negócio

A NASA foi a mercado buscar companhias interessadas no contrato de Exploration Extravehicular Activity Services (xEVAS). Esse tipo de acordo comercial permite que fornecedores selecionados concorram por pedidos de tarefas, para missões determinadas, até o ano de 2034.

Apesar de haver um cronograma, especialmente para a missão Artemis III, as entregas têm uma expectativa de data e a quantidade poderá variar. A remuneração máxima do contrato, de US$ 3,5 bilhões, será paga somente no melhor cenário: todas as tarefas entregues dentro do cronograma e com satisfação dos requisitos estabelecidos.

Por exemplo, as encomendas iniciais sob contrato incluem o desenvolvimento e serviços para a primeira demonstração dos trajes fora da estação espacial em órbita baixa da Terra; simulações e demonstração para o pouso lunar Artemis III também constam no pacote.

As empresas participantes já investiram quantias significativas de recursos próprios no desenvolvimento tecnológico, assumindo parte do risco. A vantagem do modelo de negócio é tornar os pagamentos da NASA uma espécie de subsídio para as companhias, uma vez que essas serão proprietárias da tecnologia desenvolvida e, inclusive, poderão explorar outros clientes comerciais não pertencentes à estrutura da NASA.

Essa nova abordagem incentiva um mercado comercial emergente para uma variedade de clientes e, em contrapartida, concede à Agência Espacial dos Estados Unidos o direito de usar os mesmos dados e tecnologias em futuras aquisições, planejamento e execução de programas de exploração espacial.